PIPA diz ter recebido com surpresa não renovação de parceria com Câmara da Golegã
A não renovação do protocolo por parte da Câmara da Golegã obrigou o Projecto PIPA a deixar a antiga escola primária da Azinhaga, onde esteve instalado durante cinco anos. A associação garante que vai continuar, mas admite impacto imediato na programação e está agora à procura de um novo espaço para salvar biblioteca, oficinas e actividades culturais.
O Projecto PIPA, Programa da Imagem e da Palavra da Azinhaga, está à procura de nova sede depois de a Câmara da Golegã ter decidido não renovar o acordo que permitia à associação utilizar a antiga escola primária da freguesia. A decisão apanhou de surpresa a direcção do projecto, que lamenta a ausência de contactos prévios e de alternativas para garantir a continuidade de uma iniciativa cultural enraizada na comunidade. Ana Matos, directora da associação, reconhece que a autarquia exerceu um direito legal, mas diz não compreender a forma como o processo foi conduzido. A comunicação chegou por carta e correio electrónico e obrigou o PIPA a retirar equipamentos e materiais num prazo de dois meses, afectando desde logo a programação prevista para 2026.
Entre as prioridades está agora encontrar um espaço que permita acolher a biblioteca de arte, com cerca de 400 livros de acesso gratuito, e assegurar a realização de oficinas e o funcionamento regular da associação. Exposições, sessões de cinema, residências artísticas, apresentações de livros e o festival de curtas-metragens deverão manter-se, ainda que com reajustamentos.
O presidente da câmara, António Camilo, justifica a decisão com a necessidade de reorganizar o edifício para permitir a partilha com outras colectividades sem sede própria. Ainda assim, o município admite que o PIPA pode continuar a usar o espaço enquanto decorre a articulação com outras entidades. Apesar do revés, a associação garante que não vai desistir. “A cultura é também um lugar de resistência”, afirma Ana Matos.


