Sociedade | 27-04-2026 21:00

Balanço da reorganização das urgências de ginecologia em VFX não convence autarcas e utentes

Balanço da reorganização das urgências de ginecologia em VFX não convence autarcas e utentes
- foto arquivo O MIRANTE

Loures e Vila Franca de Xira fazem balanços positivos da reorganização das urgências de ginecologia que, logo no primeiro mês, começaram com uma grávida a dar à luz no quartel dos bombeiros de Vila Franca de Xira. Utentes continuam a contestar.

As unidades locais de saúde (ULS) que gerem os hospitais de Loures e de Vila Franca de Xira fizeram na última semana um balanço positivo da reorganização das urgências de ginecologia e obstetrícia. Uma medida que resultou na concentração de serviços dessas especialidades no Hospital de Loures e o fecho das urgências em Vila Franca de Xira.
Em Loures, no primeiro mês de actividade foram registados 201 partos e 1.409 admissões, “um indicador que traduz um ligeiro aumento da actividade assistencial”, adiantou a ULS de Loures/Odivelas, que vincou o balanço positivo do primeiro mês de funcionamento da urgência centralizada. A nova Urgência Centralizada de Ginecologia e Obstetrícia de Loures-Odivelas/Estuário do Tejo entrou em funcionamento a 16 de Março e concentra os casos urgentes da região, incluindo os reencaminhados do Hospital Vila Franca de Xira, cuja urgência encerrou por falta de profissionais.
Entretanto também a ULS Estuário do Tejo (ULSET) fez um balanço sobre o funcionamento do Hospital Vila Franca de Xira, notando que a sua maternidade manteve os partos programados em linha com o primeiro trimestre do ano: 51 partos entre 16 de Março e 15 de Abril. Em Janeiro, diz a ULSET, nasceram 44 crianças, em Fevereiro 62 e em Março 67. Segundo a unidade, os 51 partos entre 16 de Março e 15 de Abril representam um crescimento “muito significativo” relativamente aos números do último trimestre do ano passado, quando nasceram 30 crianças em Outubro, 29 em Novembro e 42 em Dezembro. “O bom desempenho de 2026 resulta do investimento que está a ser realizado no Serviço de Ginecologia e Obstetrícia, nomeadamente a contratação de médicos, a recuperação das cirurgias e a criação de uma Consulta Aberta no hospital”, refere a ULSET.
De acordo com os últimos dados do Ministério da Saúde, as utentes provenientes da ULS Estuário do Tejo, que abrange cinco concelhos servidos pelo Hospital Vila Franca de Xira, representaram 27% das admissões e 25% dos partos realizados neste primeiro mês das urgências centralizadas em Loures. Nesse período, recorde-se, uma grávida de Vila Franca de Xira não aguentou o suficiente para chegar a Loures e acabou por ter a criança no quartel dos bombeiros. Um caso que veio agudizar as críticas e as queixas da comunidade e dos autarcas sobre o modelo encontrado pelo Ministério da Saúde para minimizar os constrangimentos dos serviços de urgência desta especialidade, devido à carência de médicos para preencher as escalas.
Na última semana os utentes dos vários concelhos afectados pela medida concentraram-se em Lisboa, frente ao Ministério da Saúde e aprovaram uma moção manifestando a sua “profunda indignação” para com as políticas de saúde dos governos que, “através de uma suborçamentação contínua e sistemática, procura pôr em causa” o Serviço Nacional de Saúde. Os utentes exigem ao governo também que mantenha abertas todas as urgências de Obstetrícia e Ginecologia em todos os hospitais e reabra esses e outros serviços que foram encerrados.

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