Sociedade | 27-04-2026 21:00

Poda de árvores em Samora Correia levanta polémica

Poda de árvores em Samora Correia levanta polémica
Um dos locais intervencionados, em Samora Correia, abrangeu a envolvente do edifício da antiga cooperativa - foto O MIRANTE

Intervenção no arvoredo em várias ruas de Samora Correia gerou críticas e debate político, mas presidente da junta defende decisão com base em queixas acumuladas, riscos e limitações técnicas.

As podas de árvores realizadas recentemente em vários pontos de Samora Correia estão a gerar polémica e a dividir a opinião pública, com críticas e reservas expressas na última assembleia de freguesia, enquanto o presidente da junta, Jorge Paiva (AD), assume a responsabilidade pelas decisões e defende a sua necessidade.
As intervenções, visíveis em locais como a Rua Camilo Castelo Branco e Rua José Rato, junto ao edifício da antiga cooperativa; na Avenida O Século, junto à clínica dentária Dr. Roque; na Alameda Almeida Garrett e na Rua António Pina Cabral, na urbanização do Brejo, foram classificadas por alguns como “podas da morte”, devido ao desbaste acentuado das estruturas arbóreas. Perante as críticas, Jorge Paiva sustenta que as podas “foram feitas como sempre foram feitas”, sublinhando que a principal diferença residiu no número de árvores intervencionadas.
O presidente da Junta justifica a intervenção com um volume significativo de queixas ao longo dos últimos anos. “Recebemos dezenas de reclamações das árvores”, afirmou, enumerando problemas como a sujidade nas ruas, algerozes entupidos, danos em piscinas e varandas, infiltrações em caves, levantamento de passeios, proliferação de insectos e risco de queda. Em contraste, referiu que as críticas às podas, este ano chegadas à junta de freguesia, foram residuais, apontando apenas dois e-mails recebidos, ainda que reconheça a amplificação do tema nas redes sociais.

Segurança está primeiro
Jorge Paiva destaca a componente de segurança como um dos principais critérios para a intervenção. Referiu que, no dia 28 de Janeiro, durante uma tempestade, não caiu qualquer árvore no Porto Alto, onde as podas já tinham sido realizadas, ao contrário de outras zonas, como o Arneiro dos Corvos, onde duas árvores acabaram por cair, incluindo sobre viaturas estacionadas. Poucas árvores foram abatidas, o que sucedeu apenas em zonas onde apresentavam impactos directos em infraestruturas. O autarca refere casos de raízes a afectar passeios, estradas, redes de esgotos, propriedades privadas e iluminação pública, justificando assim decisões mais drásticas.
Um dos casos mais discutidos foi o do pinheiro junto à clínica dentária Dr. Roque, na Avenida O Século. Jorge Paiva explicou que a decisão de corte foi tomada no local, após contacto com moradores, e que resultou da avaliação de problemas estruturais associados à árvore. A decisão foi tomada em conjunto com o funcionário da junta, Carlos Falua, que integrou o anterior executivo, mas o autarca sublinhou que a responsabilidade final é sua. O cepo será aproveitado para a realização de “uma obra de arte”, especificou. Outro pinheiro na mesma zona foi apenas podado, por não apresentar riscos significativos.

“O senhor está a matar as árvores”
Apesar das explicações, as críticas persistiram. O eleito da assembleia de freguesia João Borracha, também da AD, manifestou-se contra a forma como as podas foram realizadas, considerando que foram excessivas e questionando o cumprimento das regras legais. “O senhor está a matar as árvores”, afirmou, alertando para a necessidade de respeitar normas e critérios técnicos, e interrogando ainda se decisões como o abate do pinheiro resultaram de pedidos individuais ou de orientações técnicas.
O presidente da junta rejeita a ideia de que as podas das árvores tenham destruído as mesmas. “Matar as árvores, essa parte não posso aceitar”, afirmou, garantindo que a maioria das árvores intervencionadas mantém-se no terreno e apresenta sinais de recuperação visíveis. “Estão já todas verdinhas”, disse. O autarca enquadra a intervenção num plano mais alargado, com horizonte de vários anos, que passa pela substituição gradual de espécies consideradas desadequadas ao meio urbano. Está também em curso um levantamento dos locais onde existiam árvores e onde subsistem apenas as caldeiras, com vista à futura plantação de novas espécies.

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