Insuficiência cardíaca pode ser tratada mais rapidamente com combinação de tratamentos
Iniciar dois tratamentos em simultâneo é abordagem eficaz e segura, conclui estudo. Estima-se que, em Portugal, mais de meio milhão de pessoas vivem com insuficiência cardíaca.
Um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) concluiu que iniciar dois tratamentos em simultâneo em doentes com insuficiência cardíaca é viável e seguro e pode permitir que os doentes recebam tratamento recomendado pelas diretrizes internacionais. “Esta descoberta é relevante porque muitos médicos hesitam em iniciar vários medicamentos ao mesmo tempo por receio de efeitos adversos. Este estudo sugere que, com acompanhamento adequado, uma abordagem mais rápida é viável e segura”, afirma o professor e investigador da FMUP João Pedro Ferreira, citado em comunicado.
Publicado no Journal of the American College of Cardiology, em Janeiro, este estudo avaliou doentes com insuficiência cardíaca com fracção de ejecção reduzida, um tipo de insuficiência cardíaca em que o coração tem dificuldade de bombear o sangue de forma eficaz. Os doentes estavam a ser seguidos em vários centros no Norte do país, nomeadamente nas Unidades Locais de Saúde São João e Santo António, no Porto, Gaia/Espinho e Matosinhos.
Segundo o autor principal do estudo, “as directrizes internacionais recomendam que os fármacos sejam iniciados o mais precocemente possível e as doses ajustadas. “Antes deste ensaio, não se sabia se era seguro e eficaz iniciá-los em simultâneo ou se seria melhor começar um e só depois o outro, um a três meses depois”, explicou o investigador que integra também a unidade de investigação RISE-Health.
Assim, com esta investigação ficou demonstrado que “a estratégia é segura, o que significa que não aumenta os efeitos adversos, quando se compara com a estratégia de começar o tratamento com apenas um medicamento e adicionar o outro após algumas semanas ou meses”, acrescentou.
A insuficiência cardíaca é uma doença crónica grave que provoca sintomas como falta de ar e retenção de líquidos e que é uma das principais causas de mortalidade acima dos 65 anos de idade.
Estima-se que, em Portugal, mais de meio milhão de pessoas vivem com insuficiência cardíaca.


