Sociedade | 30-04-2026 10:00

“Estou casado com a Câmara da Chamusca”

“Estou casado com a Câmara da Chamusca”
Nuno Mira defende uma gestão mais próxima das pessoas e admite que alguns dos principais dossiers do concelho só terão solução nos próximos anos

Meses depois de tomar posse como presidente da Câmara da Chamusca, Nuno Mira diz que novo ciclo tem de se traduzir em empatia, proximidade e capacidade de resolver problemas concretos. Nesta entrevista a O MIRANTE, fala dos dossiers mais difíceis que herdou. Fala também da juventude e da vida pessoal sacrificada pelo cargo que diz desempenhar com vontade de fazer a diferença.

Nesta entrevista a O MIRANTE, o autarca fala dos dossiers mais difíceis que herdou: as piscinas municipais, o arquivo municipal, o mercado, o centro de saúde, a requalificação urbana, a habitação, o Ecoparque do Relvão e a ponte da Chamusca. Assume críticas a obras que considera mal planeadas, admite que algumas soluções só chegarão em 2027 e defende uma gestão mais próxima dos serviços e das populações. Também fala da juventude e da vida pessoal sacrificada pelo cargo que diz desempenhar com muita vontade de fazer a diferença.

Nuno Mira é presidente da Câmara Municipal da Chamusca, eleito pelo Partido Socialista nas autárquicas de 2025, tendo sido o candidato mais votado no concelho com 1784 votos. Na tomada de posse apresentou-se como “um homem em missão”, prometendo uma governação assente na empatia, na honestidade e na proximidade, mas também intransigente quando necessário. Licenciado e mestre em Gestão, passou pela Assembleia de Freguesia, pela Assembleia Municipal, pelo gabinete de apoio ao anterior presidente da câmara, pela RSTJ e pela Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo. É o presidente de câmara mais jovem da região ribatejana, com 35 anos. Hoje, sentado na cadeira da presidência, diz que o poder local só faz sentido se estiver perto das pessoas e dos seus problemas. Nuno Mira considera que, sobretudo no último mandato, se perdeu ligação entre o município e a população. O novo executivo quer, por isso, recuperar essa relação.

O que o anunciado novo ciclo tem de diferente em relação ao que vinha de trás? As duas palavras que mais caracterizam são empatia e proximidade. Isso é essencial em qualquer político que faça do trabalho no poder local a sua missão. Se nós não tivermos empatia com os problemas do dia-a-dia da população, não somos chamados a pensar como é que os conseguimos resolver. E se não formos próximos das pessoas, também acabamos por não ter conhecimento desses problemas. A proximidade serve para conhecer os assuntos e a empatia serve para termos a vontade de os resolver. As outras partes mais técnicas vêm depois.
É o presidente de câmara mais jovem da região. É uma vantagem ou fonte de desconfiança? Quando iniciei a candidatura não senti desconfiança das pessoas que me conheciam. Pelo contrário. Mas, das pessoas que não me conheciam, houve alguma desconfiança. Creio que conseguimos, com trabalho, proximidade e diálogo, mostrar que não havia razões para essa desconfiança. Hoje, para a exigência do trabalho autárquico, das muitas horas por dia e da disponibilidade total, acho que a juventude é uma vantagem.
Tem 35 anos, não é casado e não tem filhos. Alguma vez se arrepende por ter um cargo que lhe condiciona a vida pessoal? Não. Neste momento a minha prioridade é o município. No fundo acabei por casar com a câmara municipal. Se me perguntarem se imaginava, aos 35 anos, estar solteiro e sem filhos, não imaginava. Mas a vida nem sempre corre como esperamos. Temos de aceitar as circunstâncias. Neste momento estou completamente casado com a Câmara Municipal da Chamusca.
O mercado municipal foi requalificado, mas continua sem a dinâmica prometida. O que pensa fazer? Tendo em conta a requalificação que foi feita, está à vista que o mercado não teve a dinâmica esperada. Creio que isso se deve muito à concepção do espaço. Estamos a falar de lojas muito pequenas, onde é difícil os lojistas conseguirem desenvolver a sua actividade económica, e de duas ilhas que se pretendia que fossem de restauração, mas que acabam por não ter condições para isso. Ultimamente têm acontecido algumas actividades ao fim-de-semana no mercado e isso surgiu também porque algumas pessoas começaram a utilizar mais o espaço. Existe um grupo, que poderá vir a constituir-se como associação, os Amigos do Mercado.

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