“Estou casado com a Câmara da Chamusca”
Meses depois de tomar posse como presidente da Câmara da Chamusca, Nuno Mira diz que novo ciclo tem de se traduzir em empatia, proximidade e capacidade de resolver problemas concretos. Nesta entrevista a O MIRANTE, fala dos dossiers mais difíceis que herdou. Fala também da juventude e da vida pessoal sacrificada pelo cargo que diz desempenhar com vontade de fazer a diferença.
Nesta entrevista a O MIRANTE, o autarca fala dos dossiers mais difíceis que herdou: as piscinas municipais, o arquivo municipal, o mercado, o centro de saúde, a requalificação urbana, a habitação, o Ecoparque do Relvão e a ponte da Chamusca. Assume críticas a obras que considera mal planeadas, admite que algumas soluções só chegarão em 2027 e defende uma gestão mais próxima dos serviços e das populações. Também fala da juventude e da vida pessoal sacrificada pelo cargo que diz desempenhar com muita vontade de fazer a diferença.
Nuno Mira é presidente da Câmara Municipal da Chamusca, eleito pelo Partido Socialista nas autárquicas de 2025, tendo sido o candidato mais votado no concelho com 1784 votos. Na tomada de posse apresentou-se como “um homem em missão”, prometendo uma governação assente na empatia, na honestidade e na proximidade, mas também intransigente quando necessário. Licenciado e mestre em Gestão, passou pela Assembleia de Freguesia, pela Assembleia Municipal, pelo gabinete de apoio ao anterior presidente da câmara, pela RSTJ e pela Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo. É o presidente de câmara mais jovem da região ribatejana, com 35 anos. Hoje, sentado na cadeira da presidência, diz que o poder local só faz sentido se estiver perto das pessoas e dos seus problemas. Nuno Mira considera que, sobretudo no último mandato, se perdeu ligação entre o município e a população. O novo executivo quer, por isso, recuperar essa relação.
O que o anunciado novo ciclo tem de diferente em relação ao que vinha de trás? As duas palavras que mais caracterizam são empatia e proximidade. Isso é essencial em qualquer político que faça do trabalho no poder local a sua missão. Se nós não tivermos empatia com os problemas do dia-a-dia da população, não somos chamados a pensar como é que os conseguimos resolver. E se não formos próximos das pessoas, também acabamos por não ter conhecimento desses problemas. A proximidade serve para conhecer os assuntos e a empatia serve para termos a vontade de os resolver. As outras partes mais técnicas vêm depois.
É o presidente de câmara mais jovem da região. É uma vantagem ou fonte de desconfiança? Quando iniciei a candidatura não senti desconfiança das pessoas que me conheciam. Pelo contrário. Mas, das pessoas que não me conheciam, houve alguma desconfiança. Creio que conseguimos, com trabalho, proximidade e diálogo, mostrar que não havia razões para essa desconfiança. Hoje, para a exigência do trabalho autárquico, das muitas horas por dia e da disponibilidade total, acho que a juventude é uma vantagem.
Tem 35 anos, não é casado e não tem filhos. Alguma vez se arrepende por ter um cargo que lhe condiciona a vida pessoal? Não. Neste momento a minha prioridade é o município. No fundo acabei por casar com a câmara municipal. Se me perguntarem se imaginava, aos 35 anos, estar solteiro e sem filhos, não imaginava. Mas a vida nem sempre corre como esperamos. Temos de aceitar as circunstâncias. Neste momento estou completamente casado com a Câmara Municipal da Chamusca.
O mercado municipal foi requalificado, mas continua sem a dinâmica prometida. O que pensa fazer? Tendo em conta a requalificação que foi feita, está à vista que o mercado não teve a dinâmica esperada. Creio que isso se deve muito à concepção do espaço. Estamos a falar de lojas muito pequenas, onde é difícil os lojistas conseguirem desenvolver a sua actividade económica, e de duas ilhas que se pretendia que fossem de restauração, mas que acabam por não ter condições para isso. Ultimamente têm acontecido algumas actividades ao fim-de-semana no mercado e isso surgiu também porque algumas pessoas começaram a utilizar mais o espaço. Existe um grupo, que poderá vir a constituir-se como associação, os Amigos do Mercado.


