Moradores do Monte Gordo em VFX temem novas construções em solos frágeis
Estudos geotécnicos que estão a ser realizados na famosa encosta do Monte Gordo, onde há uma década foram demolidos dois prédios de sete pisos que ameaçavam ruir, fazem alguns moradores temer a possibilidade de novas construções.
Um conjunto de estudos geotécnicos que estão a ser realizados na Rua da Quinta de Santo Amaro, no Monte Gordo, no alto de Vila Franca de Xira, estão a causar apreensão a alguns moradores que temem que possam vir a ser construídos ou autorizados novas edificações no local. Isto, recorde-se, numa zona com um passado complicado e que levou mesmo à necessidade de demolir dois edifícios de sete andares, num processo complexo que fez correr muita tinta há quase uma década.
“Estão eventualmente a prever construir dois edifícios na zona mais a norte, na zona onde os taludes foram reabilitados, onde fizeram uma obra de drenagem e contenção. Chegou hoje equipamento para fazer pesquisas ao solo. Há 3 semanas andaram lá técnicos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) a medir”, afirmou Rui Pato, na última reunião de câmara. O cidadão lembra que, apesar da demolição dos dois edifícios, a encosta é frágil, composta de calcário poroso e que, por isso, o LNEC continua a fazer leituras trimestrais no local para assegurar a sua estabilidade.
O presidente do município, Fernando Paulo Ferreira, diz que oficialmente ainda não deu entrada nos serviços qualquer pedido de construção para o local. “Devem estar a fazer um levantamento geológico, porque para ser construída ali alguma coisa tem de haver esse levantamento prévio. Só depois pode haver alguma decisão sobre essa matéria”, explicou o autarca. A explicação não sossegou os moradores. “Se a câmara deixar ali construir mais alguma coisa vai cometer o mesmo erro que há vinte anos e arrisca a haver uma catástrofe”, alerta outro cidadão, Fernando Nunes.
Dois prédios em risco que acabaram em entulho
Com “pés de lã” e de forma “quase cirúrgica”, piso a piso e à mão, foi desta forma que os técnicos explicaram a O MIRANTE, há nove anos e meio, aquela que foi uma das demolições mais complexas efectuada no concelho de Vila Franca de Xiran - a de destruição simultânea dos dois edifícios de sete andares que, na encosta do Monte Gordo, ameaçavam ruir sobre a via pública e colocavam em perigo a segurança de pessoas e bens. Por causa da instabilidade da encosta, e para não afectar os prédios vizinhos, os dois prédios foram demolidos num trabalho que custou aos cofres municipais 750.600 euros.
A resolução do problema incluiu o despejo forçado dos moradores do lote 1 e a indemnização de quem ali comprou casa sem que os edifícios tivessem condições de segurança para poderem ser habitados. O vizinho lote 2 nem sequer chegou a ser habitado, por estar a inclinar-se perigosamente por causa da pressão exercida pela encosta.
Os dois prédios de sete pisos, com 14 apartamentos cada, foram construídos no início da década de 1990 mas a partir de 1999 começaram a apresentar fissuras e um deles a inclinar-se para a frente. O agravamento da situação foi tal que, em 2013, o LNEC concluiu que existiam sérias deficiências nas estruturas que condenavam os prédios a ruir devido a problemas com as fundações e a pressão da encosta, recomendando a sua demolição.
No lote 1 viviam nove famílias que foram alvo de um despejo administrativo e posteriormente indemnizadas em quase 50 mil euros por apartamento, um valor bem abaixo do que a maioria pagou pela habitação.


