Sociedade | 02-05-2026 18:00

Moradores do Monte Gordo em VFX temem novas construções em solos frágeis

Moradores do Monte Gordo em VFX temem novas construções em solos frágeis
Prédios do Monte Gordo foram demolidos há quase uma década por serem perigosos - foto arquivo O MIRANTE

Estudos geotécnicos que estão a ser realizados na famosa encosta do Monte Gordo, onde há uma década foram demolidos dois prédios de sete pisos que ameaçavam ruir, fazem alguns moradores temer a possibilidade de novas construções.

Um conjunto de estudos geotécnicos que estão a ser realizados na Rua da Quinta de Santo Amaro, no Monte Gordo, no alto de Vila Franca de Xira, estão a causar apreensão a alguns moradores que temem que possam vir a ser construídos ou autorizados novas edificações no local. Isto, recorde-se, numa zona com um passado complicado e que levou mesmo à necessidade de demolir dois edifícios de sete andares, num processo complexo que fez correr muita tinta há quase uma década.
“Estão eventualmente a prever construir dois edifícios na zona mais a norte, na zona onde os taludes foram reabilitados, onde fizeram uma obra de drenagem e contenção. Chegou hoje equipamento para fazer pesquisas ao solo. Há 3 semanas andaram lá técnicos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) a medir”, afirmou Rui Pato, na última reunião de câmara. O cidadão lembra que, apesar da demolição dos dois edifícios, a encosta é frágil, composta de calcário poroso e que, por isso, o LNEC continua a fazer leituras trimestrais no local para assegurar a sua estabilidade.
O presidente do município, Fernando Paulo Ferreira, diz que oficialmente ainda não deu entrada nos serviços qualquer pedido de construção para o local. “Devem estar a fazer um levantamento geológico, porque para ser construída ali alguma coisa tem de haver esse levantamento prévio. Só depois pode haver alguma decisão sobre essa matéria”, explicou o autarca. A explicação não sossegou os moradores. “Se a câmara deixar ali construir mais alguma coisa vai cometer o mesmo erro que há vinte anos e arrisca a haver uma catástrofe”, alerta outro cidadão, Fernando Nunes.

Dois prédios em risco que acabaram em entulho
Com “pés de lã” e de forma “quase cirúrgica”, piso a piso e à mão, foi desta forma que os técnicos explicaram a O MIRANTE, há nove anos e meio, aquela que foi uma das demolições mais complexas efectuada no concelho de Vila Franca de Xiran - a de destruição simultânea dos dois edifícios de sete andares que, na encosta do Monte Gordo, ameaçavam ruir sobre a via pública e colocavam em perigo a segurança de pessoas e bens. Por causa da instabilidade da encosta, e para não afectar os prédios vizinhos, os dois prédios foram demolidos num trabalho que custou aos cofres municipais 750.600 euros.
A resolução do problema incluiu o despejo forçado dos moradores do lote 1 e a indemnização de quem ali comprou casa sem que os edifícios tivessem condições de segurança para poderem ser habitados. O vizinho lote 2 nem sequer chegou a ser habitado, por estar a inclinar-se perigosamente por causa da pressão exercida pela encosta.
Os dois prédios de sete pisos, com 14 apartamentos cada, foram construídos no início da década de 1990 mas a partir de 1999 começaram a apresentar fissuras e um deles a inclinar-se para a frente. O agravamento da situação foi tal que, em 2013, o LNEC concluiu que existiam sérias deficiências nas estruturas que condenavam os prédios a ruir devido a problemas com as fundações e a pressão da encosta, recomendando a sua demolição.
No lote 1 viviam nove famílias que foram alvo de um despejo administrativo e posteriormente indemnizadas em quase 50 mil euros por apartamento, um valor bem abaixo do que a maioria pagou pela habitação.

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