Sociedade | 03-05-2026 12:00

Cartaxo entre grades, fitas e lixo: munícipe traça retrato duro da cidade

Cartaxo entre grades, fitas e lixo: munícipe traça retrato duro da cidade
Manuela Carvalho - foto O MIRANTE

Degradação de edifícios, a proliferação de grades e fitas de protecção e a acumulação de lixo nas ruas motivaram fortes críticas na última reunião de câmara do Cartaxo. O presidente do município reconheceu que há “muito para melhorar”, enquanto a oposição exige uma resposta mais rápida e eficaz.

A acumulação de lixo em vários pontos da cidade e o estado de degradação de edifícios e muros em risco de queda estiveram no centro da última reunião de câmara do Cartaxo, numa intervenção marcada pelo tom crítico da munícipe Manuela Carvalho. Moradora no concelho há quase cinco décadas, Manuela Carvalho lamentou a imagem actual da cidade, que diz estar muito longe da vila cuidada que conheceu no passado. Na sua intervenção, traçou um retrato severo do espaço urbano, apontando a existência de “fitas e grades” um pouco por todo o lado, associadas a edifícios devolutos ou muros em risco, sem que, na sua opinião, se veja uma solução efectiva para os problemas. “No papel a cidade está resumida a fitas e grades, além dos edifícios ou muros que estão em vias de cair e ninguém faz nada”, criticou, acrescentando que o cenário é agravado pelo que considera ser um crescente desmazelo urbano. A munícipe alertou ainda para a acumulação de monos e outros resíduos junto aos contentores, defendendo campanhas de sensibilização para travar esse tipo de comportamentos. “O que há neste momento? Grades, fitas, lixo, estradas estragadas”, resumiu.
Perante as críticas, o presidente da Câmara do Cartaxo, João Heitor, reconheceu os problemas apontados e admitiu que o município tem ainda um longo caminho a percorrer. “Nós temos, de facto, muito para melhorar. Muito mesmo”, afirmou. Sobre as fitas e barreiras na via pública, o autarca explicou que essas medidas resultam sobretudo de questões de segurança relacionadas com imóveis privados degradados. João Heitor sublinhou que a autarquia não pode obrigar directamente os proprietários a reabilitar os edifícios, embora possa pressioná-los a garantir condições de segurança para quem circula na via pública. Acrescentou ainda que, em alguns casos, o processo tem sido atrasado por entraves legais levantados pelos próprios donos dos imóveis.
Quanto à acumulação de resíduos, o presidente da câmara garantiu que o município reforçou meios e equipas, mas admitiu que será difícil resolver o problema sem maior sentido cívico por parte da população. Ainda assim, assegurou que as campanhas de sensibilização fazem parte da estratégia do executivo. O vereador socialista Ricardo Magalhães defendeu uma actuação mais célere tanto no que respeita aos imóveis degradados como à recolha de lixo. O autarca recordou que a legislação permite às câmaras municipais intervir quando os proprietários não cumprem as suas obrigações, alertando que o tempo passa sem que os resultados desse trabalho sejam visíveis no terreno.

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