Série da RTP e Netflix impulsiona em Almeirim nova estratégia turística do Ribatejo
A Ukbar Filmes e a Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo assinaram esta terça‑feira, na Quinta de Alorna, em Almeirim, um protocolo que reforça a aposta na produção audiovisual como ferramenta estratégica de promoção territorial, tendo como ponto de partida a série “Leonor, Marquesa de Alorna”, rodada em locais emblemáticos de Almeirim, abrangendo também Salvaterra de Magos.
O protocolo entre a Ukbar Filmes e a Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, assinado no cenário histórico onde viveu a Marquesa de Alorna, no palácio da quinta em Almeirim, marca o compromisso para através da série “Leonor, Marquesa de Alorna” se reforce a notoriedade nacional e internacional de Almeirim, de Salvaterra de Magos e do Ribatejo. O acordo prevê um financiamento de cerca de 50 mil euros por parte da entidade de turismo, que receberá diverso material audiovisual para utilização promocional, podendo também disponibilizá‑lo aos municípios.
A série “Leonor, Marquesa de Alorna”, produzida pela Ukbar Filmes para a RTP, a mesma produtora de “Rabo de Peixe”, é composta por seis episódios e baseia‑se no romance biográfico de Maria João Lopo de Carvalho, presente na assinatura do protocolo. A obra retrata a vida de Leonor de Almeida Portugal (1750‑1839), poetisa, pedagoga e tradutora cuja produção literária só foi publicada postumamente. A estreia está prevista para Novembro de 2026 na RTP, seguindo depois para a Netflix.
O presidente da entidade de turismo, José Manuel Santos, sublinha que a série é uma oportunidade para promover os lugares onde decorreram as filmagens, podendo mesmo servir de base para a criação de uma rota turística própria, envolvendo Almeirim e Salvaterra de Magos. Recorda ainda que produções televisivas e cinematográficas têm hoje um papel determinante na promoção dos territórios, citando o impacto internacional de outras séries. “Rabo de Peixe” é um desses exemplos produzidos pela Ukbar Filmes.
Segundo José Manuel Santos, a participação da série em festivais e eventos internacionais contribuirá para aumentar a visibilidade do Ribatejo, reforçando a estratégia de promoção externa da região. “O audiovisual é hoje um meio de excelência para dar a conhecer os lugares”, afirma, lembrando que o Turismo de Portugal e o Ministério da Cultura dispõem de verbas específicas para apoiar este tipo de projectos.
O presidente da Câmara de Almeirim, Joaquim Catalão, destaca que a série permitirá promover o concelho e as suas potencialidades, reforçando o foco que o município vai colocar no turismo cultural e de natureza, depois da aposta no turismo gastronómico. O autarca anunciou ainda que o futuro Museu do Traje será uma peça importante na consolidação do turismo como componente relevante da economia local.
A produtora Pandora da Cunha Telles, cofundadora da Ukbar Filmes, sublinha a importância de colocar os territórios no panorama audiovisual, não apenas como cenários, mas como elementos identitários. À porta do Palácio da Alorna, onde viveu a Marquesa, afirmou esperar que o público “se apaixone pela figura de Leonor e pelos lugares por onde ela passou”. A produtora revelou ainda que a série inclui um fandango da época, diferente do que é conhecido hoje, e destacou o papel do livro de Maria João Lopo de Carvalho, bisneta do médico-dentista, corretor de mercadorias e homem de grandes negócios, Manuel Caroça, que depois da morte da marquesa adquiriu a Quinta da Alorna em hasta pública.


