Sociedade | 06-05-2026 17:14

Misericórdia de Abrantes reconhece fase difícil mas diz que salários são regularizados em poucos dias

Misericórdia de Abrantes reconhece fase difícil mas diz que salários são regularizados em poucos dias

Cerca de duas dezenas de trabalhadores da Santa Casa da Misericórdia de Abrantes concentraram-se à porta da instituição para denunciar o pagamento faseado dos salários desde Janeiro. Sindicato fala em “grito de alerta” e admite greve. Provedor reconhece dificuldades financeiras, mas garante que a situação é temporária.

Cerca de 20 trabalhadores da Santa Casa da Misericórdia de Abrantes concentraram-se na quarta-feira, 6 de Maio, à porta da instituição para protestar contra o pagamento faseado dos salários, uma situação que, segundo o sindicato, se arrasta desde Janeiro e está a criar dificuldades às famílias. A acção foi convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas e culminou na aprovação, por unanimidade, de uma moção que admite o recurso a novas formas de luta, incluindo a greve. “Este é um grito de alerta dos trabalhadores”, afirmou à Lusa a dirigente sindical Teresa Faria, sublinhando que os funcionários “chegam ao fim do mês e vêem metade do ordenado nas suas contas”. Segundo a responsável, no final de Abril foi pago “cerca de 55% do salário”, ficando o restante por liquidar “uma semana ou duas depois”. A situação, acrescentou, tem vindo a agravar-se, uma vez que inicialmente eram pagos cerca de 80% dos vencimentos.
Durante a concentração, Teresa Faria criticou a justificação dada pela instituição, que aponta dificuldades de tesouraria, e deixou um reparo à gestão da Santa Casa. “Não pode ser fazer obras e depois os trabalhadores ficarem sem o ordenado”, afirmou, defendendo também uma fiscalização mais apertada por parte da Segurança Social. A moção aprovada pelos trabalhadores vai ser enviada à União das Misericórdias, ao Ministério do Trabalho e à Segurança Social. O sindicato avisa que, caso os salários continuem a não ser pagos por inteiro no final do mês, será marcada greve. Teresa Faria alertou ainda para a existência de retroactivos salariais por pagar desde Janeiro.
Contactado pela Lusa, o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Abrantes, João Pombo, reconheceu que a instituição atravessa uma fase financeira difícil, mas garantiu que a situação é temporária e está a ser resolvida. “Não escondemos que estamos a atravessar uma fase complicada”, afirmou. Segundo o responsável, o aumento do salário mínimo nacional e a actualização das tabelas remuneratórias agravaram os encargos da instituição. João Pombo explicou que a Misericórdia tem optado por pagar os salários de forma faseada, assegurando que os valores em falta são regularizados “ao fim de quatro a seis dias”. O provedor adiantou ainda que a instituição aguarda a actualização das comparticipações da Segurança Social e está a recorrer a um empréstimo bancário e à venda de património para reforçar a tesouraria. Apontou também o aumento dos custos operacionais como factor de pressão, referindo que a factura mensal do gás subiu de cerca de 4.000 euros para mais de 5.300 euros, além do aumento dos combustíveis e de outras despesas correntes.
A massa salarial continua a ser o maior encargo da Santa Casa da Misericórdia de Abrantes, ascendendo a cerca de 2,7 milhões de euros anuais, num universo de 135 trabalhadores. João Pombo admitiu que a comunicação inicial com os funcionários “pode não ter sido a melhor”, mas garantiu que têm sido realizadas reuniões para explicar a situação. A Santa Casa da Misericórdia de Abrantes tem cerca de 135 trabalhadores e várias respostas sociais, incluindo lar, centro de dia, apoio domiciliário e creche.

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