Misericórdia de Abrantes reconhece fase difícil mas diz que salários são regularizados em poucos dias
Cerca de duas dezenas de trabalhadores da Santa Casa da Misericórdia de Abrantes concentraram-se à porta da instituição para denunciar o pagamento faseado dos salários desde Janeiro. Sindicato fala em “grito de alerta” e admite greve. Provedor reconhece dificuldades financeiras, mas garante que a situação é temporária.
Cerca de 20 trabalhadores da Santa Casa da Misericórdia de Abrantes concentraram-se na quarta-feira, 6 de Maio, à porta da instituição para protestar contra o pagamento faseado dos salários, uma situação que, segundo o sindicato, se arrasta desde Janeiro e está a criar dificuldades às famílias. A acção foi convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas e culminou na aprovação, por unanimidade, de uma moção que admite o recurso a novas formas de luta, incluindo a greve. “Este é um grito de alerta dos trabalhadores”, afirmou à Lusa a dirigente sindical Teresa Faria, sublinhando que os funcionários “chegam ao fim do mês e vêem metade do ordenado nas suas contas”. Segundo a responsável, no final de Abril foi pago “cerca de 55% do salário”, ficando o restante por liquidar “uma semana ou duas depois”. A situação, acrescentou, tem vindo a agravar-se, uma vez que inicialmente eram pagos cerca de 80% dos vencimentos.
Durante a concentração, Teresa Faria criticou a justificação dada pela instituição, que aponta dificuldades de tesouraria, e deixou um reparo à gestão da Santa Casa. “Não pode ser fazer obras e depois os trabalhadores ficarem sem o ordenado”, afirmou, defendendo também uma fiscalização mais apertada por parte da Segurança Social. A moção aprovada pelos trabalhadores vai ser enviada à União das Misericórdias, ao Ministério do Trabalho e à Segurança Social. O sindicato avisa que, caso os salários continuem a não ser pagos por inteiro no final do mês, será marcada greve. Teresa Faria alertou ainda para a existência de retroactivos salariais por pagar desde Janeiro.
Contactado pela Lusa, o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Abrantes, João Pombo, reconheceu que a instituição atravessa uma fase financeira difícil, mas garantiu que a situação é temporária e está a ser resolvida. “Não escondemos que estamos a atravessar uma fase complicada”, afirmou. Segundo o responsável, o aumento do salário mínimo nacional e a actualização das tabelas remuneratórias agravaram os encargos da instituição. João Pombo explicou que a Misericórdia tem optado por pagar os salários de forma faseada, assegurando que os valores em falta são regularizados “ao fim de quatro a seis dias”. O provedor adiantou ainda que a instituição aguarda a actualização das comparticipações da Segurança Social e está a recorrer a um empréstimo bancário e à venda de património para reforçar a tesouraria. Apontou também o aumento dos custos operacionais como factor de pressão, referindo que a factura mensal do gás subiu de cerca de 4.000 euros para mais de 5.300 euros, além do aumento dos combustíveis e de outras despesas correntes.
A massa salarial continua a ser o maior encargo da Santa Casa da Misericórdia de Abrantes, ascendendo a cerca de 2,7 milhões de euros anuais, num universo de 135 trabalhadores. João Pombo admitiu que a comunicação inicial com os funcionários “pode não ter sido a melhor”, mas garantiu que têm sido realizadas reuniões para explicar a situação. A Santa Casa da Misericórdia de Abrantes tem cerca de 135 trabalhadores e várias respostas sociais, incluindo lar, centro de dia, apoio domiciliário e creche.


