Câmara de Abrantes nega favorecimento na contratação de banda para festas da cidade
Município diz que contratação de 4.800 euros foi feita ao abrigo da lei, rejeita suspeitas relacionadas com ligação partidária de um músico e acusa críticas públicas de assentarem em interpretações incompletas.
A Câmara Municipal de Abrantes veio a público esclarecer a polémica em torno da contratação de uma banda local para actuar nas Festas de Abrantes, depois de notícias e comentários terem levantado dúvidas sobre o procedimento adoptado e sobre uma alegada ligação partidária de um dos elementos do grupo. Em comunicado, o município afirma respeitar “integralmente a liberdade de imprensa, o escrutínio democrático da actividade pública e o direito dos cidadãos a conhecerem a forma como são utilizados os recursos públicos”, mas sublinha que esse escrutínio deve ser feito com base em “factos completos, devidamente contextualizados e juridicamente enquadrados”.
Em causa está uma contratação no valor de 4.800 euros. A autarquia sustenta que o montante se enquadra no regime legal de ajuste directo simplificado, previsto no Código dos Contratos Públicos para contratos abaixo dos 5.000 euros. Segundo a Câmara de Abrantes, este procedimento é utilizado por entidades públicas em todo o país e não exige concurso público, consulta a várias entidades, contrato escrito formal ou publicação imediata no Portal Base, sendo o reporte feito posteriormente às entidades competentes.
A autarquia rejeita igualmente que a escolha da banda tenha resultado de qualquer critério político ou de favorecimento. No comunicado, a câmara explica que a programação cultural das Festas de Abrantes tem em conta factores como a diversidade da oferta, a adequação ao público, a valorização de projectos locais, a experiência dos músicos e a sustentabilidade financeira. O município acrescenta que tem seguido, ao longo dos anos, uma política de valorização de artistas locais, incluindo projectos emergentes, considerando que a contratação agora questionada se enquadra nessa prática. Sobre a alegada ligação partidária de um dos elementos da banda, a Câmara de Abrantes afirma que a participação cívica ou partidária é um direito constitucional e não pode servir como motivo de exclusão de actividade profissional, artística ou cultural. A autarquia garante que “não existiu qualquer influência, favorecimento ou conflito de interesses” no processo.
O comunicado refere ainda que foram prestados esclarecimentos à jornalista do Canal NOW sobre o valor da contratação, o enquadramento legal e o procedimento adoptado, lamentando que parte dessa informação não tenha sido reflectida de forma completa no espaço público. A câmara rejeita também afirmações dirigidas ao presidente do município, nomeadamente alegações de comportamentos de pressão ou intimidação sobre cidadãos, classificando-as como falsas.


