População de Paço dos Negros esteve três semanas sem serviço da MEO
Falha na fibra óptica deixou pelo menos oito habitações sem televisão e internet. Moradores dizem que não conseguiram trabalhar e que a operadora não garantiu solução concreta.
A população de Paço dos Negros, aldeia da freguesia de Fazendas de Almeirim, esteve várias semanas sem serviço da MEO, depois de uma falha na rede de fibra óptica ter deixado pelo menos oito habitações sem televisão e internet. O problema, que se arrastou sem resolução desde meados de Abril, causou transtornos a famílias que dependem da ligação à internet para trabalhar, estudar e aceder a serviços essenciais.
Sebastian Lakatos, morador em Paços dos Negros, relatou a O MIRANTE, ainda antes do restabelecimento do serviço, o desespero de quem se dizia esquecido pela operadora. “Estamos sem o serviço há 11 dias, todos precisamos de internet para trabalhar e assim não conseguimos”, afirmou. O morador garante que esta foi a primeira vez que a população enfrentou uma falha tão prolongada, e lamentou a falta de respostas claras por parte da empresa. Segundo o mesmo morador, a situação tornou-se ainda mais incompreensível porque técnicos da operadora estiveram no local para instalar um novo serviço numa habitação da mesma zona, recorrendo à mesma caixa onde se encontra a fibra óptica danificada. Esse novo serviço, adianta, ficou a funcionar normalmente, enquanto as restantes casas afectadas continuavam sem qualquer ligação.
Sebastian Lakatos diz já ter contactado a operadora, tendo-lhe sido transmitido que o problema poderia ficar resolvido até 3 de Maio, o que só meio a suceder no dia 4. A informação, no entanto, não foi acompanhada de garantias concretas nem de qualquer explicação sobre a demora na reparação. Para os moradores, a incerteza agravou a indignação, sobretudo quando os serviços continuam a ser essenciais no dia-a-dia e “quando muitos clientes pagam pacotes que incluem televisão, internet e telefone”, refere.
A situação em Paço dos Negros está longe de ser um caso isolado e volta a expor a fragilidade das redes de comunicações nas zonas menos densas, onde uma avaria pode deixar famílias inteiras sem televisão, telefone e internet durante dias, sem respostas claras nem prazos cumpridos. Segundo a ANACOM, em 2025 aumentaram as reclamações relacionadas com falhas nos serviços, demoras na reparação e assistência técnica, sendo a MEO a operadora mais referida nas queixas sobre falhas de serviço e apoio técnico. O Governo reconheceu a existência de “zonas brancas”, territórios sem cobertura de rede ou sem qualidade adequada, estimando que a chegada da fibra a todo o país exigirá um investimento de 425 milhões de euros e abrangerá mais de 400 mil casas. Já a ANACOM identificou centenas de freguesias onde não existe concorrência efectiva na fibra, sobretudo em zonas de menor atractividade comercial.


