Ribeira de Rio de Moinhos volta à ordem do dia em Abrantes
Obra apresentada como resposta ao risco de cheias reacende debate em Abrantes, onde a protecção de pessoas e bens esbarra com críticas sobre os impactos no vale da Pucariça.
A intervenção na ribeira da Pucariça, em Rio de Moinhos, voltou a colocar frente a frente quem vê na obra uma resposta necessária para evitar cheias e proteger populações, e a de quem entende que o preço ambiental e agrícola foi demasiado elevado. O assunto chegou à Assembleia Municipal de Abrantes com elogios à melhoria do escoamento da água, mas também com críticas à forma como o território foi mexido e às consequências para terrenos agrícolas e sistemas tradicionais de regadio.
O MIRANTE tem dado voz a moradores das aldeias envolventes que classificaram as obras como um grave crime ambiental, questionando critérios técnicos, custos e ausência de estudos prévios. Na altura, foram apontados canais de rega secos, abate de árvores, colocação de pedra e alteração profunda da paisagem, num troço de quase cinco quilómetros. Na assembleia municipal, os defensores da intervenção sublinharam que, perante fenómenos meteorológicos cada vez mais intensos, não agir também tem custos. Limpar linhas de água, remover obstáculos e criar melhores condições de escoamento pode ser decisivo quando a água ameaça casas, caminhos e explorações.
Do outro lado, os críticos lembram que a prevenção não pode ser feita à custa da degradação de solos, da perda de biodiversidade ou da destruição de sistemas agrícolas que ajudaram a moldar a vida local. Alertam ainda para alegadas falhas na execução e alterações ao equilíbrio natural da ribeira.
Manuel Valamatos, presidente da autarquia, defendeu que a intervenção foi autorizada pelas entidades competentes e teve como prioridade proteger pessoas e bens. Admitiu, porém, que o processo é complexo e sujeito a leituras divergentes.


