Ordem dos Enfermeiros propõe centro de parto normal em Vila Franca de Xira
Enfermeiros defendem que partos de baixo risco podem ser realizados com segurança em Vila Franca de Xira e no Barreiro. Autarcas continuam a querer ser ouvidos pelas bancadas parlamentares sobre o fecho das urgências de ginecologia.
A Ordem dos Enfermeiros defendeu esta semana que os serviços de urgência encerrados nos hospitais do Barreiro e de Vila Franca de Xira poderiam ser reconvertidos em centros de parto normal para acompanhamento de gravidezes de baixo risco.
A posição foi transmitida pela presidente da Mesa do Colégio da Especialidade de Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica da Ordem dos Enfermeiros (OE), Alexandrina Cardoso, numa audição parlamentar sobre o aumento das cesarianas no Serviço Nacional de Saúde (SNS), a pedido do PS.
A responsável defendeu a criação de centros de parto normal para acompanhamento de grávidas de baixo risco, referindo que estes espaços podem ser criados nos serviços de obstetrícia dos hospitais de VFX e Barreiro. Segundo afirmou, no modelo actual, as grávidas são integradas no mesmo circuito de risco, sem diferenciação entre situações de baixo e alto risco.
A OE referiu que estes modelos assentam no acompanhamento de grávidas de baixo risco por enfermeiros especialistas em enfermagem de saúde materna e obstétrica, desde a gravidez até ao parto e que a criação destes centros pode ser concretizada nos serviços existentes, através da adaptação de espaços e da organização das equipas, seguindo um modelo que já existe em países como o Reino Unido e os Estados Unidos.
Segundo Alexandrina Cardoso Portugal regista actualmente mais de 33 cesarianas por cada 100 partos no SNS, um valor considerado elevado e classificado em relatórios europeus como cuidados de baixo valor. Segundo a responsável, no último relatório da OCDE, Portugal integra o grupo dos 10 países com taxas mais elevadas de cesariana entre os 34 analisados. A responsável assegurou que os enfermeiros especialistas em saúde materna e obstétrica estão disponíveis para reforçar o acompanhamento das grávidas de baixo risco no SNS, mas admite que têm existido constrangimentos na operacionalização deste modelo.
Alexandrina Cardoso recordou os entraves à concretização do despacho que criou a comissão responsável por regulamentar e monitorizar o modelo de acompanhamento de grávidas de baixo risco no SNS, que levaram a OE a abandonar a comissão, por considerar que a Direcção-Executiva do SNS está a esvaziar as competências dos enfermeiros especialistas, apelando à intervenção dos deputados.
Em 2025 o SNS registou mais de 22 mil cesarianas, um aumento de 5%, com as regiões Norte e Alentejo a apresentarem os valores mais elevados. Estes números elevam para 33,2% o peso das cesarianas no total de partos no serviço público.


