Sociedade | 09-05-2026 12:47

Ordem dos Enfermeiros propõe centro de parto normal em Vila Franca de Xira

Ordem dos Enfermeiros propõe centro de parto normal em Vila Franca de Xira

Enfermeiros defendem que partos de baixo risco podem ser realizados com segurança em Vila Franca de Xira e no Barreiro. Autarcas continuam a querer ser ouvidos pelas bancadas parlamentares sobre o fecho das urgências de ginecologia.

A Ordem dos Enfermeiros defendeu esta semana que os serviços de urgência encerrados nos hospitais do Barreiro e de Vila Franca de Xira poderiam ser reconvertidos em centros de parto normal para acompanhamento de gravidezes de baixo risco.
A posição foi transmitida pela presidente da Mesa do Colégio da Especialidade de Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica da Ordem dos Enfermeiros (OE), Alexandrina Cardoso, numa audição parlamentar sobre o aumento das cesarianas no Serviço Nacional de Saúde (SNS), a pedido do PS.
A responsável defendeu a criação de centros de parto normal para acompanhamento de grávidas de baixo risco, referindo que estes espaços podem ser criados nos serviços de obstetrícia dos hospitais de VFX e Barreiro. Segundo afirmou, no modelo actual, as grávidas são integradas no mesmo circuito de risco, sem diferenciação entre situações de baixo e alto risco.
A OE referiu que estes modelos assentam no acompanhamento de grávidas de baixo risco por enfermeiros especialistas em enfermagem de saúde materna e obstétrica, desde a gravidez até ao parto e que a criação destes centros pode ser concretizada nos serviços existentes, através da adaptação de espaços e da organização das equipas, seguindo um modelo que já existe em países como o Reino Unido e os Estados Unidos.
Segundo Alexandrina Cardoso Portugal regista actualmente mais de 33 cesarianas por cada 100 partos no SNS, um valor considerado elevado e classificado em relatórios europeus como cuidados de baixo valor. Segundo a responsável, no último relatório da OCDE, Portugal integra o grupo dos 10 países com taxas mais elevadas de cesariana entre os 34 analisados. A responsável assegurou que os enfermeiros especialistas em saúde materna e obstétrica estão disponíveis para reforçar o acompanhamento das grávidas de baixo risco no SNS, mas admite que têm existido constrangimentos na operacionalização deste modelo.
Alexandrina Cardoso recordou os entraves à concretização do despacho que criou a comissão responsável por regulamentar e monitorizar o modelo de acompanhamento de grávidas de baixo risco no SNS, que levaram a OE a abandonar a comissão, por considerar que a Direcção-Executiva do SNS está a esvaziar as competências dos enfermeiros especialistas, apelando à intervenção dos deputados.
Em 2025 o SNS registou mais de 22 mil cesarianas, um aumento de 5%, com as regiões Norte e Alentejo a apresentarem os valores mais elevados. Estes números elevam para 33,2% o peso das cesarianas no total de partos no serviço público.

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