Sociedade | 09-05-2026 18:00

Ponte fechada deixa população de São Vicente do Paul isolada e sem respostas

Ponte fechada deixa população de São Vicente do Paul isolada e sem respostas

Interdição da Ponte da Panela obriga a desvios de cerca de 15 quilómetros e está a penalizar famílias, agricultores, empresas e instituições sociais. Presidente da Junta de São Vicente do Paul diz sentir-se “impotente” perante a falta de calendário para a requalificação da infraestrutura.

A interdição da Ponte da Panela, em São Vicente do Paul, concelho de Santarém, está a agravar o sentimento de isolamento da população e a criar fortes constrangimentos sociais e económicos numa zona já marcada por acessibilidades degradadas. O presidente da Junta de Freguesia, Nuno Carriço, alerta que o encerramento da ligação obriga a desvios de cerca de 15 quilómetros e deixa moradores, agricultores, empresários e instituições sem soluções à vista. Em declarações à Lusa, o autarca classificou a Ponte da Panela como um “ponto de ligação fundamental” entre freguesias e concelhos, utilizada diariamente pela população, por empresas e pelo sector agrícola. “Aquilo que está em causa é um desvio de 15 quilómetros, o que representa um transtorno enorme para quem trabalha, para quem tem comércio ou serviços em freguesias vizinhas”, afirmou.
A ponte, com mais de 20 anos, já apresentava sinais de degradação, situação que se agravou com os recentes episódios de mau tempo. Por razões de segurança, foram colocados extensores e determinada a interdição total da circulação. A requalificação poderá exigir um investimento entre 400 mil e 500 mil euros, mas, até ao momento, não existe compromisso formal nem calendário para a obra. Um concurso público lançado anteriormente ficou deserto. “Todos os dias tenho pessoas a pedir respostas e eu não as tenho para lhes dar. Conheço bem as dificuldades de quem aqui vive e isso custa-me muito”, lamentou Nuno Carriço, que diz sentir-se “impotente” perante a situação.
O encerramento da ponte está também a afectar a vida social da população. Segundo o autarca, há pessoas que deixaram de se deslocar regularmente a Valada para visitar familiares ou participar em actividades, devido à extensão do desvio. O impacto chega ainda a equipamentos sociais, como o Centro de Bem-Estar de Vale de Figueira, frequentado por utentes de São Vicente do Paul, que passaram a estar sujeitos a deslocações muito mais longas. A preocupação não se limita à Ponte da Panela. Nuno Carriço alertou também para o mau estado da EN 365-4, que liga São Vicente do Paul a Pombalinho, descrevendo a estrada como “muito degradada” e sem uma intervenção estrutural há mais de três décadas. A junta de freguesia tem realizado pequenas reparações, nomeadamente com a colocação de alcatrão para tapar buracos de maior dimensão, mas o autarca reconhece que são apenas remendos temporários, incapazes de garantir segurança e durabilidade. O presidente da junta sublinha ainda as consequências económicas da falta de acessibilidades, sobretudo para a agricultura e para a construção civil, numa altura em que se aproxima a época das colheitas. “Os agricultores e empresários vão ter de percorrer mais dezenas de quilómetros, aumentando custos e desgaste dos equipamentos. Isso acaba por afastar investimento e tornar a região menos competitiva”, advertiu.
Na Assembleia Municipal de Santarém de 30 de Abril, o presidente da câmara, João Leite, assumiu que a requalificação da Ponte da Panela é uma “grande preocupação” do executivo, adiantando que a autarquia está a articular uma solução com as Infraestruturas de Portugal.

Mais Notícias

    A carregar...
    Logo: Mirante TV
    mais vídeos
    mais fotogalerias