Viver com lúpus: “Se um dia disser que não tenho dores é porque morri”
Sónia Mendonça aprendeu a viver com uma doença autoimune que lhe entrou na vida cedo demais e que nunca mais a largou. O lúpus tirou-lhe saúde, o trabalho e muitos dias de autonomia, mas não lhe levou a coragem nem a capacidade de transformar dor em arte. Um depoimento a propósito do Dia Mundial do Lúpus, que se assinala a 10 de Maio.
Diagnosticada aos sete anos com artrite reumatoide juvenil, durante muito tempo, as dores que sentia foram sendo atribuídas a essa condição. Mas o corpo dava sinais de que havia algo mais. “A minha madrinha tinha de me dar banho. Muitas vezes não conseguia segurar nos talheres para comer”, conta. Aos 17 anos, Sónia Mendonça, natural de São Vicente do Paul, entrou nas urgências do Hospital de Santarém completamente inchada. Seguiu-se o Instituto Português de Reumatologia e depois o Hospital Curry Cabral, em Lisboa, onde ficou internada quase três meses. “Entrei a 1 de Junho e saí no fim de Agosto. São datas que não se esquecem”. Tal como o dia em que soube o diagnóstico, depois de uma adolescência marcada por dúvida e dores incapacitantes.
A confirmação veio depois de uma biópsia ao rim. Sónia tinha lúpus eritematoso sistémico e também a forma cutânea da doença. Na pele ficou-lhe a marca da chamada “borboleta” no rosto, hoje mais discreta, mas que ainda esconde com maquilhagem quando sai à rua. No corpo ficaram as dores, embora hoje mais controladas. “Eu disse ao médico: doutor, se um dia eu disser que não tenho dores, é porque morri. Todos os dias tenho dores, umas vezes mais, outras menos”. Vieram os tratamentos que começaram com sessões de quimioterapia, numa tentativa de baixar a imunidade e tentar travar a agressividade da doença crónica e autoimune.
*Artigo completo na próxima edição semanal de O MIRANTE.


