Aterro de Azambuja foi construído em zona de risco sísmico
Com 172.774 toneladas de resíduos depositados, incluindo amianto, o aterro de Azambuja foi construído numa zona de falha sísmica. Informação foi avançada numa mesa-redonda sobre riscos naturais e confirmada em reunião camarária pela vereadora da Protecção Civil.
O aterro de resíduos industriais não perigosos de Azambuja, onde estão depositadas 172.774 toneladas de lixo, incluindo amianto, foi construído numa zona de risco sísmico, onde se acredita existir uma falha geológica, com base em evidências científicas. A vereadora do PS confirmou essa informação na última reunião do executivo da Câmara de Azambuja. “Sim, existe risco sísmico na zona onde está implantado o aterro e até se acredita que a falha de Azambuja passe naquela zona”, de acordo com “algumas evidências”, disse Ana Coelho.
A vereadora socialista, responsável pelo pelouro da Protecção Civil, respondia ao munícipe, António Pires, que levantou a questão, tendo em conta o que foi abordado numa mesa-redonda, subordinada ao tema “Riscos naturais e salvaguarda das populações e do património”, que contou, entre outras, com a presença de Ana Coelho e da geóloga Anabela Cruces.
O Centro de Tratamento de Resíduos não Perigosos de Azambuja, inaugurado em 2017, é gerido pela empresa Triaza, pertencente à SUMA, um consórcio liderado pela Mota Engil, e representou um investimento de 1,8 milhões de euros. A infraestrutura, construída sem a realização de um estudo de impacto ambiental, porque à época não era obrigatório, tem sido contestada ao longo dos anos pela população e autarcas. O aterro não recebe resíduos desde 2022, após ter atingido a capacidade máxima da sua única célula existente, em altimetria.
Encerramento definitivo arrasta-se no tempo
O presidente da Câmara de Azambuja fez saber, na mesma reunião e em resposta a António Pires, que abordou o tema do encerramento definitivo do aterro com a ministra do Ambiente e o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente porque “já decorreu o tempo para ser fechado”. O autarca adiantou também que o município recebeu uma “comunicação” da Triaza, enviada para o apoio jurídico, a “perguntar se tem que tirar licença para a movimentação de terras para tapar o aterro”. E esclareceu: “vamos dizer que sim, porque a legislação assim o obriga”.


