Obras na estrada de Alcanede não agradam e já se pedem rectificações
A intervenção na Estrada Nacional 362 na freguesia de Alcanede está aquém do desejado por autarcas e população. Nalguns pontos a via ficou demasiado estreita e as muitas curvas continuam por suprimir. O PS apresentou uma proposta na Câmara de Santarém com vista à resolução de algumas situações, que acabou chumbada pela gestão AD.
A requalificação da Estrada Nacional (EN) 362 na zona de Alcanede, no concelho de Santarém, tem vindo a suscitar críticas por não ter contemplado correcções ao traçado, com muitas curvas nalguns locais, e pela estreiteza da via após as obras, como acontece em Valverde, perto do limite com o concelho de Porto de Mós. A isso soma-se a execução de passeios em pavê, em detrimento da calçada à portuguesa, cuja matéria-prima é produzida nas pedreiras da serra, e também a falta de passeios noutros pontos.
Face a esse cenário, a bancada do Partido Socialista no executivo da Câmara de Santarém apresentou uma proposta de implementação de um estudo com as Infraestruturas de Portugal (IP) para intervir na EN362 na freguesia de Alcanede, com vista à correcção do traçado. E, caso a IP não se mostrasse disponível, que fosse o município a proceder faseadamente às intervenções necessárias para correcção do traçado. A proposta acabou chumbada pela maioria PSD, com a abstenção do vereador do Chega, por se considerar que a autarquia não deve assumir responsabilidades que não lhe competem.
O PS, pela voz do vereador Pedro Ribeiro, lembrou que as intervenções havidas nos últimos tempos na via, nomeadamente entre Tremês e Alcanede e entre Alcanede e o limite do concelho com Porto de Mós, ocorreram sobretudo ao nível do pavimento e não do traçado, defendendo que o município diligenciasse junto da IP para que pudesse corrigir, com urgência, os problemas resultantes das obras recentes e a supressão de curvas.
Proposta “inconsistente” e “atabalhoada”
Os socialistas propuseram também que, caso a IP recusasse fazer essas correcções, a Câmara de Santarém se predispusesse a executar, faseadamente, as obras com vista à diminuição das curvas entre Tremês e Alcanede e entre Alcanede e Valverde/limite do concelho. E foi aí que encontraram resistência. O presidente do município, João Leite (PSD), recusou liminarmente essa hipótese, rotulando a proposta do PS de “inconsistente” e “atabalhoada” e sugerindo a sua reformulação, tal como o vereador do Chega, Pedro Correia.
Tanto João Leite como Pedro Correia consideram que faz sentido pressionar a IP para corrigir algumas situações - como aliás o presidente diz que tem vindo a ser feito - e que pode ser concertada uma posição conjunta de todas as forças políticas para apresentar à empresa. Mas sem abrir a possibilidade de onerar o erário municipal com uma intervenção que não é da sua responsabilidade, reiterou o presidente, que afirmou também que a IP tem manifestado sempre abertura para o diálogo com vista à resolução dos problemas.
Pedro Correia considerou pertinentes as preocupações expressas na proposta socialista e afirmou que transitam cerca de 400 camiões por dia entre Alcanede e o limite do concelho, havendo locais onde é impossível o cruzamento de dois veículos de grandes dimensões, com os passeios já marcados pelos rodados dos pesados
O vereador Pedro Gouveia acrescentou que, quanto à largura da via, a mesma conta com duas faixas de rodagem de 3 metros, dentro daquilo que é normal para esse tipo de via. Adiantou ainda que está marcada uma reunião com a IP para a última semana de Maio, na zona em obras.


