Amigos dos Animais denunciam retrocesso na resposta aos errantes em Coruche
A Associação Amigos dos Animais de Coruche acusa o município de estar a deixar cair uma colaboração operacional construída ao longo de mais de duas décadas.
A Associação Amigos dos Animais de Coruche acusa o município de estar a deixar cair uma colaboração operacional construída ao longo de mais de duas décadas e alerta para um “retrocesso significativo” na resposta aos animais errantes no concelho. A direcção garante que não está a pedir mais dinheiro, mas sim a reposição de condições de trabalho com o Centro de Recolha Oficial de Animais de Companhia de Coruche. Em comunicado, a associação manifesta “preocupações sérias” com a actual relação institucional com a câmara municipal e com as condições em que continua a desenvolver a sua actividade. Recorda que, há mais de 20 anos, assegura no terreno um papel activo na protecção animal, quase sempre através do esforço voluntário dos seus membros, com tempo, recursos próprios e energia para responder a falhas que, sublinha, não deveriam existir.
A associação lembra que a recolha, acolhimento e gestão de animais errantes são competências do município e que as associações não podem substituir essa responsabilidade pública. Ainda assim, diz ter suportado mais de 18 mil euros só no primeiro trimestre deste ano em despesas veterinárias e alimentação, sem apoio regular ou estruturado. A Amigos dos Animais insiste que a questão central não é financeira. O que diz estar em causa é a perda de uma colaboração directa com o CROAC, que durante anos permitiu responder às necessidades do concelho. A associação contesta ainda afirmações atribuídas ao presidente da câmara, garantindo que tem voluntários disponíveis. O problema, defende, não é a falta de pessoas, mas a retirada de meios e condições. Critica também as opções municipais, alegando que continuam a ser canalizadas verbas para eventos, festividades e outras entidades, enquanto a protecção animal fica fora das prioridades.
A proposta municipal para que a associação assumisse a gestão dos gatos do concelho, com apoio anual de oito mil euros e acesso limitado ao centro de recolha, é vista como uma transferência de responsabilidades públicas sem meios adequados. A direcção diz querer diálogo e cooperação, mas avisa que não aceitará “regredir no caminho” construído ao longo de duas décadas.


