Buzinão na Chamusca exige nova ponte e fim das promessas sobre o Tejo
Movimento de Utentes dos Serviços Públicos e União dos Sindicatos de Santarém exigem o arranque da nova ponte da Chamusca e da ligação entre a A13 e a A23. Dizem que a actual travessia castiga trabalhadores, empresas, transportes públicos e até o socorro às populações.
O Movimento de Utentes dos Serviços Públicos e a União dos Sindicatos de Santarém promoveram esta quarta-feira, 8 de Maio, um buzinão junto à ponte da Chamusca para exigir que o Governo avance, sem mais adiamentos, com o processo de construção de uma nova travessia sobre o rio Tejo. A reivindicação não é nova. A nova ponte está prevista no projecto de ligação entre a A13, em Almeirim, e a A23, em Vila Nova da Barquinha, mas, segundo José Rui Raposo, do Movimento de Utentes dos Serviços Públicos, a obra continua presa a promessas, planos e anúncios que nunca saem do papel. “Todos os que utilizam a ponte da Chamusca estão fartos de promessas. O que se quer é a execução da obra, porque esta situação não pode continuar”, afirmou à Lusa.
O dirigente lembra que os atrasos na travessia são frequentes e afectam diariamente trabalhadores que circulam entre as duas margens, quer em viatura própria, quer em transporte público. Em alguns casos, diz, a espera ultrapassa meia hora. “É perfeitamente inaceitável”, sublinha. Além do impacto na vida de quem trabalha, o movimento aponta prejuízos para a economia local e regional, nomeadamente no transporte de mercadorias e na deslocação de máquinas agrícolas. A segurança é outra das preocupações: bombeiros e ambulâncias também ficam presos ou condicionados na travessia, sem alternativa próxima para contornar o rio naquela zona. José Rui Raposo critica ainda a falta de resposta do Governo aos pedidos de reunião apresentados pelo movimento. Recorda que o primeiro-ministro anunciou em 2025, em período pré-eleitoral, o arranque do processo, mas que, já em 2026, “tudo continua na mesma”.
Também a Câmara Municipal da Chamusca foi chamada ao processo, embora o movimento reconheça que a responsabilidade principal é do Governo. Ainda assim, José Rui Raposo defende que os autarcas da região devem assumir uma posição “mais forte e mais veemente” junto do poder central. Para os promotores do protesto, a nova ponte deve ser acompanhada pela concretização da ligação entre a A13 e a A23, uma obra que permitiria retirar “centenas largas de veículos pesados por dia” do interior de localidades como Almeirim, Alpiarça, Chamusca e Golegã. O dirigente lembra que continuam a circular camiões, incluindo com matérias perigosas, pelo centro dessas vilas, uma realidade que considera inadmissível. A crítica estende-se ao conjunto das acessibilidades no distrito de Santarém, com o movimento a apontar também os casos das pontes de Muge e de Constância, infraestruturas antigas e desajustadas ao volume e tipo de tráfego actual. Para José Rui Raposo, está em causa uma modernização urgente das ligações entre o norte e o sul do Tejo. Uma urgência que, para quem todos os dias espera para atravessar a ponte da Chamusca, já passou há muito do tempo das promessas.


