Sociedade | 16-05-2026 21:00

Mãe mantém filho em casa após ameaças na Escola Secundária de Coruche

Mãe mantém filho em casa após ameaças na Escola Secundária de Coruche
Estudante disse à mãe que colegas o ameaçaram com uma faca e um cinto - foto DR

Aluno de 14 anos terá sido alvo de intimidações desde 12 de Abril. Encarregada de educação apresentou queixa na GNR de Coruche e diz continuar sem garantias para o regresso do filho às aulas.

Uma mãe de Coruche diz ter retirado temporariamente das aulas o filho, de 14 anos, aluno do 8.º ano na Escola Secundária de Coruche, por receio de que o menor seja agredido dentro do estabelecimento de ensino. Micaela Teixeira, encarregada de educação, afirma que o filho tem sido alvo de intimidações e ameaças desde 12 de Abril e que, até ao momento, não recebeu da direcção da escola uma resposta que lhe dê garantias concretas de segurança.
Segundo a encarregada de educação, a situação foi comunicada à directora de turma por correio electrónico no dia 24 de Abril. Quatro dias depois, a 28 de Abril, a mãe decidiu apresentar queixa na GNR de Coruche, depois de o filho ter chegado a casa “muito nervoso e em lágrimas”, relatando que um amigo lhe dissera que alguns jovens estariam a planear agredi-lo no balneário do Coruchense. De acordo com a mãe, nessa conversa terá sido referido que um deles levaria “a faca se for preciso”.
Micaela Teixeira explica que, nesse mesmo dia, falou telefonicamente com um elemento da Escola Segura, uma vez que este não se encontrava no posto quando se deslocou à GNR para apresentar queixa. A encarregada de educação diz que lhe foi transmitido que a participação seguiria directamente para o Ministério Público. Além da queixa apresentada na GNR de Coruche, afirma ter enviado também correio electrónico para o DIAP de Coruche e para o DIAP de Santarém.
Dois dias depois, a 30 de Abril, a situação voltou a agravar-se, segundo a versão relatada pela mãe. O filho telefonou-lhe, muito nervoso, a dizer que os jovens tinham na sua posse uma faca e que o estavam a ameaçar com esse objecto e com um cinto. A mãe afirma que contactou de imediato a GNR e que se deslocou à escola.
A O MIRANTE, Micaela Teixeira refere ainda que os jovens em causa andariam “fugidos” dentro do recinto escolar e que entravam e saíam por uma zona da rede que estaria cortada num ponto menos visível. A encarregada de educação diz ter ligado uma segunda vez às autoridades para saber se iriam deslocar-se à escola, tendo comparecido no local um militar da GNR, que tomou nota da ocorrência e das identificações dos jovens envolvidos.

Mãe exige garantias de segurança
A mãe afirma que, até ao momento, não foi contactada pela direcção da escola, apesar de ter enviado várias mensagens por correio electrónico. Sem uma resposta e sem a certeza de que serão tomadas medidas de segurança, entende que o filho não pode regressar às aulas em condições normais. O aluno encontra-se em casa, segundo a encarregada de educação, por não estar bem emocional e psicologicamente. Ainda assim, a mãe levou-o à escola na quarta-feira, 6 de Maio, à hora da disciplina de Ciências Naturais, para entregar um trabalho de grupo, e na sexta-feira seguinte, para realizar o teste de Matemática, procurando evitar maiores prejuízos no percurso escolar.
Nessas deslocações, diz ter permanecido sempre junto ao portão da escola, enquanto o filho entrou apenas para a sala de aula e regressou depois directamente à saída. Micaela Teixeira acrescenta que o menor está a ser acompanhado em psicologia numa clínica em Santarém, na sequência desta situação. A encarregada de educação considera que, mesmo que venham a ser definidas medidas de segurança, o regresso à escola poderá não ser fácil para o filho do ponto de vista psicológico. Ainda assim, acredita que, com segurança e com o apoio de amigos e colegas, o aluno poderá começar a ultrapassar o sentimento de insegurança.
Micaela Teixeira quer agora saber que garantias serão dadas para que o filho possa voltar às aulas em segurança e que consequências poderão existir para os jovens alegadamente envolvidos nas ameaças. “Sem uma resposta e uma certeza de que vão ser tomadas medidas de segurança, o meu filho não pode ir às aulas”, afirma.
O MIRANTE contactou, telefonicamente e por email, o Agrupamento de Escolas de Coruche, mas não obteve qualquer resposta até ao momento, assim como a GNR de Coruche.

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