Alunos de Alpiarça com acesso antecipado a testes foram suspensos mas providência travou decisão
Suspensos por decisão do Agrupamento de Escolas José Relvas, alunos regressaram à escola após providência cautelar interposta pelos pais. Terão tido acesso a enunciado de testes através do email da reprografia. O caso continua em investigação pela Polícia Judiciária.
A dezena de alunos da Escola Secundária José Relvas, em Alpiarça, que terá tido acesso antecipado a enunciados de testes e, dessa forma, obtido resultados fraudulentos que, nalguns casos, chegaram à nota máxima, foram suspensos por 12 dias. No entanto, cinco desses alunos não cumpriram a decisão, que decorreu de um processo de averiguações interno, depois de os seus encarregados de educação terem interposto uma providência cautelar. O caso está a ser investigado pela Polícia Judiciária e Inspeção-Geral de Educação e Ciência (IGEC).
O esquema, tal como O MIRANTE avançou em Janeiro, terá começado depois de um aluno ter conseguido aceder ao email da reprografia, o que lhe permitiu ter acesso antecipado aos enunciados de testes de avaliação. A informação terá sido depois partilhada com outros alunos e o caso só foi descoberto porque uma aluna, do 11.º ano, foi apanhada com uma cábula que continha as respostas ao conteúdo integral de um teste de Geografia. Essa aluna foi ouvida pela escola com o objectivo de se apurar a origem da fuga de informação. Segundo o que o nosso jornal apurou na altura junto de alguns encarregados de educação, a palavra-passe do email da reprografia mantinha-se inalterada há vários anos, permitindo um acesso fácil e indevido aos testes. Alguns garantiram mesmo que “este episódio não é isolado, sendo uma situação recorrente há mais de quatro anos, durante os quais vários alunos tiveram acesso antecipado a testes através do mesmo método”. Sabe-se agora que alguns dos alunos que obtinham notas que chegavam aos 20 valores, desceram para notas negativas, depois de o esquema ter sido abandonado. Para já, as notas dos alunos conseguidas nos testes aos quais terão tido acesso não foram anuladas, o que para alguns docentes e encarregados de educação configura uma situação de injustiça tendo em conta que estiveram em vantagem perante outros alunos dessa e de outras escolas a nível nacional que irão concorrer ao ensino superior. O MIRANTE contactou a presidente da comissão administrativa do Agrupamento de Escolas José Relvas, Teresa Gomes, que referiu estar impedida de prestar esclarecimentos por se encontrar a decorrer o processo.


