Sociedade | 19-05-2026 18:00

Conclusão sobre resultados fecham Fábrica do Empreendedor em VFX e deixam duas técnicas desempregadas

Conclusão sobre resultados fecham Fábrica do Empreendedor em VFX e deixam duas técnicas desempregadas
Fernando Paulo Ferreira ficou surpreendido com o chumbo da oposição e lamentou a decisão - foto O MIRANTE

Oposição na Câmara de VFX considerou que o município pagar 80 mil euros por ano à cooperativa SEAcoop não se justificava para os resultados que foram obtidos no último ano. Decisão deixa no desemprego duas técnicas que vão ter de dar um novo rumo à vida.

De um momento para o outro as técnicas de empreendedorismo e emprego Deusa Pululo, residente em Alhandra, e Manuela Gualdino, natural de Vila Franca de Xira e a residir em Alenquer, deixaram de ajudar pessoas desempregadas do concelho de VFX e vão elas próprias ter de integrar a lista de desempregados. Isto depois dos vereadores da oposição na Câmara de Vila Franca de Xira terem decidido chumbar a continuidade do protocolo que permitia o funcionamento da Fábrica do Empreendedor no concelho, forçando-as a refazer a vida já depois dos cinquenta anos.
Resultados magros, aquém do expectável e “miseráveis”: foi desta forma que os vereadores da oposição classificaram o trabalho feito em 2025 pela Fábrica do Empreendedor (FE), um projecto resultante de um protocolo de colaboração estabelecido entre o município e a cooperativa SEAcoop - Social Entrepreneurs Agency, que custava 80 mil euros por ano ao município. “É uma tristeza. A minha preocupação é também o que é que agora digo às pessoas que acompanhava, tenho centenas de pessoas que estávamos a acompanhar e que agora me perguntam o que fazer a seguir e eu não tenho uma resposta para lhes dar”, lamenta Manuela Gualdino, dizendo ter ficado indignada com o que ouviu dos políticos em reunião de câmara. A técnica afirma a O MIRANTE que a decisão dos políticos foi uma “vergonha nacional”, lamentando que apenas tenham tido em conta o relatório do último ano e não dos seis anos em que a fábrica funcionou, apoiando mais de 5.700 pessoas e inserido no mercado de trabalho 242 pessoas, incluindo na ajuda a criar uma centena de negócios. A técnica vai agora voltar ao centro de emprego, aos 50 anos, para procurar uma nova oportunidade profissional.
“Não é verdade que só atendíamos duas pessoas por dia e custa-me ouvir que alguns negócios foram fantasma quando há provas da sua criação. Estes partidos falaram sem saber e nunca visitaram a fábrica nestes seis anos”, lamenta. Manuela Gualdino lembra que em Dezembro de 2025 o número de desempregados no concelho era de 3.773 pessoas e que as duas técnicas trabalhavam 35 horas por semana. “Estive 2 meses de baixa e gozei um mês de férias, estamos a falar de menos 3 meses de trabalho no último ano e isso foi referido no relatório, mas não foi referido em reunião de câmara. Foi pena não nos terem visitado na Casa da Juventude de Alverca para terem uma ideia diferente do impacto do nosso trabalho”, critica.

Presidente surpreendido
Apesar de Marina Tiago, vice-presidente do município, ter considerado relevante o trabalho feito pelo projecto no concelho desde 2020 no apoio à reinserção de pessoas desempregadas e ter destacado os resultados do último ano como “bastante positivos”, a oposição teve uma ideia diferente e a renovação do protocolo acabou chumbada com os votos contra da coligação Nova Geração (PSD/IL) e Chega e a abstenção da CDU. Fábio Mousinho Pinto, da Nova Geração, considerou “manifestamente curtos” os resultados do relatório do último ano, apesar de dizer nada ter contra o trabalho feito pelas técnicas, tendo indicado a realização de 481 atendimentos, 218 dos quais para procurar integrar pessoas no mercado de trabalho, bem como a realização de 33 acções de capacitação com 461 participantes em formação. Já Barreira Soares, do Chega, classificou o projecto como tendo tido uma descarada “falta de sucesso”, considerando-o um “insucesso puro e bruto” com elevado custo para os cofres municipais, somados aos restantes custos indirectos com instalações, apoio técnico e limpeza, que o protocolo não quantificava. Também a CDU, pela voz de Cláudia Martins, considerou que o projecto “não teve números excepcionais”, admitindo que os números de pessoas apoiadas são baixos para um investimento de 80 mil euros.
Surpreendido com o chumbo, o presidente do município, Fernando Paulo Ferreira, lembrou que um desempregado não deve ser uma pessoa descartada e notou o sucesso que a FE tem tido noutros concelhos do país. “Estar a querer impor uma taxa de sucesso é impossível. Ajudamos as pessoas a encontrarem solução e a avançar. Não querer acompanhar estas pessoas com estes argumentos é desconsiderar estas pessoas e o apoio que aqui é dado”, criticou, acusando o CHEGA de ter um “preconceito total” para com os desempregados.

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