Sociedade | 19-05-2026 15:00

Coruche tenta travar subida de quatro metros na nova Ponte da Escusa

Coruche tenta travar subida de quatro metros na nova Ponte da Escusa
Ponte da Escusa ainda permanecia intacta no dia 7 de Janeiro, altura em que também a travessia alternativa ainda permitia a passagem entre as duas margens - foto O MIRANTE

Solução definitiva para a travessia interdita desde 2022 continua presa a pareceres técnicos e ambientais. Autarquia quer manter a nova ponte apenas um metro acima da cota actual, em vez dos quatro metros apontados pelo estudo hidrológico.

O projecto da nova Ponte da Escusa, no concelho de Coruche, deverá ser entregue durante o mês de Maio, mas a câmara municipal continua a tentar evitar que a nova estrutura tenha de subir quatro metros em relação à cota actual. A exigência resulta da adaptação à chamada “cheia dos 100 anos”, definida no estudo hidrológico, mas a autarquia defende que essa solução pode criar novos problemas, sobretudo nos acessos à ponte. A explicação foi dada pelo presidente da Câmara de Coruche, Nuno Azevedo, na sequência de uma intervenção do vereador Francisco Gaspar, que alertou para os constrangimentos existentes nos acessos à Ponte de Santa Justa e para o impacto que a situação está a ter na circulação.
Segundo Nuno Azevedo, o projecto em desenvolvimento já prevê a subida do tabuleiro da nova Ponte da Escusa, mas apenas em cerca de um metro face à cota actual. A possibilidade de a estrutura ter de subir quatro metros está a ser discutida com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), por poder agravar os problemas nos acessos, numa zona sujeita a cheias e ao alagamento do vale. “Estes quatro metros, só por si, não têm influência, podia perfeitamente ser feito. A questão são os acessos à ponte”, explicou o autarca. Nuno Azevedo referiu que, sendo os acessos executados em aterro, como acontece actualmente, poderiam transformar-se numa “barreira ao livre escoamento das águas”, precisamente numa área onde os acessos ficam submersos em períodos de cheia. O município está em contacto com a APA para tentar perceber se é possível avançar com a solução prevista no projecto, que contempla a subida de um metro, em vez dos quatro metros indicados pelo estudo hidrológico. Para o presidente da autarquia, essa opção “facilitará toda a empreitada”. “Já é importante termos aqui, por parte da APA, que é viável este projecto com uma cota de mais um metro face à actual cota”, afirmou Nuno Azevedo.
A Ponte da Escusa está interdita ao trânsito desde 2022 e a travessia alternativa continua dependente do caudal do Sorraia. Em Janeiro, O MIRANTE noticiou que a Câmara de Coruche previa ter o projecto de execução concluído até meados do ano, entre Julho e Agosto, numa obra estimada em cerca de 2,5 milhões de euros e considerada prioritária pelo executivo municipal. Na altura, Nuno Azevedo recordava que a ponte existente foi construída pela Associação de Regantes e Beneficiários do Vale do Sorraia e que já não responde às exigências actuais, por ter deixado de servir apenas o trânsito agrícola e rural e ter passado a assumir uma função essencial na mobilidade diária da população. A associação, segundo a autarquia, não dispõe de meios financeiros para promover a construção da nova ponte, tendo o município decidido avançar com o projecto. A ausência da travessia obriga moradores da Erra, da Texugueira e zonas envolventes a recorrer a percursos alternativos que podem ultrapassar os 40 quilómetros quando a passagem provisória fica submersa.

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