Coruche tenta travar subida de quatro metros na nova Ponte da Escusa
Solução definitiva para a travessia interdita desde 2022 continua presa a pareceres técnicos e ambientais. Autarquia quer manter a nova ponte apenas um metro acima da cota actual, em vez dos quatro metros apontados pelo estudo hidrológico.
O projecto da nova Ponte da Escusa, no concelho de Coruche, deverá ser entregue durante o mês de Maio, mas a câmara municipal continua a tentar evitar que a nova estrutura tenha de subir quatro metros em relação à cota actual. A exigência resulta da adaptação à chamada “cheia dos 100 anos”, definida no estudo hidrológico, mas a autarquia defende que essa solução pode criar novos problemas, sobretudo nos acessos à ponte. A explicação foi dada pelo presidente da Câmara de Coruche, Nuno Azevedo, na sequência de uma intervenção do vereador Francisco Gaspar, que alertou para os constrangimentos existentes nos acessos à Ponte de Santa Justa e para o impacto que a situação está a ter na circulação.
Segundo Nuno Azevedo, o projecto em desenvolvimento já prevê a subida do tabuleiro da nova Ponte da Escusa, mas apenas em cerca de um metro face à cota actual. A possibilidade de a estrutura ter de subir quatro metros está a ser discutida com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), por poder agravar os problemas nos acessos, numa zona sujeita a cheias e ao alagamento do vale. “Estes quatro metros, só por si, não têm influência, podia perfeitamente ser feito. A questão são os acessos à ponte”, explicou o autarca. Nuno Azevedo referiu que, sendo os acessos executados em aterro, como acontece actualmente, poderiam transformar-se numa “barreira ao livre escoamento das águas”, precisamente numa área onde os acessos ficam submersos em períodos de cheia. O município está em contacto com a APA para tentar perceber se é possível avançar com a solução prevista no projecto, que contempla a subida de um metro, em vez dos quatro metros indicados pelo estudo hidrológico. Para o presidente da autarquia, essa opção “facilitará toda a empreitada”. “Já é importante termos aqui, por parte da APA, que é viável este projecto com uma cota de mais um metro face à actual cota”, afirmou Nuno Azevedo.
A Ponte da Escusa está interdita ao trânsito desde 2022 e a travessia alternativa continua dependente do caudal do Sorraia. Em Janeiro, O MIRANTE noticiou que a Câmara de Coruche previa ter o projecto de execução concluído até meados do ano, entre Julho e Agosto, numa obra estimada em cerca de 2,5 milhões de euros e considerada prioritária pelo executivo municipal. Na altura, Nuno Azevedo recordava que a ponte existente foi construída pela Associação de Regantes e Beneficiários do Vale do Sorraia e que já não responde às exigências actuais, por ter deixado de servir apenas o trânsito agrícola e rural e ter passado a assumir uma função essencial na mobilidade diária da população. A associação, segundo a autarquia, não dispõe de meios financeiros para promover a construção da nova ponte, tendo o município decidido avançar com o projecto. A ausência da travessia obriga moradores da Erra, da Texugueira e zonas envolventes a recorrer a percursos alternativos que podem ultrapassar os 40 quilómetros quando a passagem provisória fica submersa.


