José Pedro Gil: “Ser advogado é estar na primeira linha de defesa dos direitos dos cidadãos”
No Dia Nacional do Advogado, que se assinala hoje, José Pedro Gil, com 36 anos de profissão, traçou um retrato da justiça em Portugal, das dificuldades da profissão e dos desafios que se colocam ao sistema judicial e aos cidadãos. Em conversa com O MIRANTE defendeu que não existem advogados a mais, que recusa casos com os quais não se identifica e que os advogados por vezes são mal interpretados até serem precisos.
Com escritório estabelecido desde sempre na Póvoa de Santa Iria, José Pedro Gil define a advocacia como uma missão de serviço público essencial. “Ser advogado é estar na primeira linha de defesa dos direitos dos cidadãos”, afirma, numa ideia que atravessa toda a sua reflexão sobre a justiça e o papel da profissão.
Ao longo de mais de três décadas de actividade, o advogado assistiu a profundas transformações no sistema judicial português, que considera inevitáveis num país em mudança constante.
Questionado sobre a confiança dos cidadãos na justiça, José Pedro Gil reconhece fragilidades, mas recusa uma visão pessimista. “As pessoas vão acreditando na justiça. A justiça, tal como todas as outras coisas feitas pelo homem, não é perfeita”, afirma, acrescentando que “é para isso que servem os advogados, para estarmos vigilantes a actuar e a fiscalizar o cumprimento da lei até pelos tribunais”.
Sobre o futuro da advocacia, defende que não há advogados a mais, tendo em conta que “somos um país complicado”. José Pedro Gil refere que a profissão de advogado é cada vez mais importante, uma vez que constitui o primeiro bastião do cidadão quando se vê confrontado com uma injustiça. “Nós padecemos de uma muito má interpretação por parte do povo em geral, que normalmente vocifera sempre contra os advogados, até que um dia precisa de um”, sublinha o causídico, vincando que ser advogado é exercer uma função social de extrema importância, até porque em Portugal “não existe excesso de garantias”, mas sim leis destinadas a defender os cidadãos, por vezes até do próprio Estado.
Notícia para ler na íntegra numa edição impressa de O MIRANTE


