Sociedade | 19-05-2026 21:00

Moradora do Cartaxo denuncia “miséria autêntica” em rua sem alcatrão nem saneamento

Moradora do Cartaxo denuncia “miséria autêntica” em rua sem alcatrão nem saneamento
Maria Carvalho deixou vários alertas aos autarcas do Cartaxo e pediu melhorias - foto O MIRANTE

Maria Margarida Carvalho mudou-se há dois meses para a Rua da Estrada da Oira e levou à câmara um rol de queixas: falta de saneamento, rua em terra batida, poste de electricidade inclinado e dificuldades de acesso a ambulâncias.

Maria Margarida Carvalho levou à reunião pública da Câmara do Cartaxo, realizada a 7 de Maio, a situação que diz ter encontrado na Rua da Estrada da Oira, para onde se mudou há apenas dois meses. A moradora denunciou a falta de infraestruturas básicas, nomeadamente ausência de alcatrão e saneamento, e alertou para o perigo de um poste de electricidade inclinado para o lado da sua habitação. A munícipe manifestou ainda preocupação com a dificuldade de acesso de ambulâncias à rua onde vive, referindo que a zona não oferece condições mínimas de segurança e mobilidade. A intervenção acabou por ir além das questões da via pública. Maria Margarida Carvalho contou ter pago 120 euros à Cartágua pela limpeza de uma fossa e disse ter descoberto, já depois da compra da habitação, a existência de um gasoduto na propriedade, facto que afirma não lhe ter sido comunicado pela anterior proprietária. “Deixámos o nosso património em Torres Vedras e ao fim ao cabo parámos numa miséria autêntica”, desabafou.
Pedro Reis, vice-presidente da Câmara do Cartaxo, que conduziu a reunião, mostrou disponibilidade para avaliar as matérias que dizem respeito ao município, mas procurou delimitar responsabilidades. O autarca reconheceu as preocupações relacionadas com as infraestruturas da rua, embora tenha sublinhado que questões como o gasoduto, a fossa ou eventuais omissões no processo de compra e venda da casa pertencem ao foro privado, entre comprador e vendedor. Quanto à melhoria das estradas naquela zona, Pedro Reis admitiu que a autarquia enfrenta limitações orçamentais e tem de estabelecer prioridades, privilegiando intervenções em locais com maior densidade populacional. Ainda assim, garantiu que o município não fecha a porta a futuras obras.
A resposta do vice-presidente foi criticada pelo vereador Luís Albuquerque, eleito pelo Chega, que defendeu que uma munícipe residente em zona rural “paga os mesmos impostos” e tem os mesmos direitos que quem vive na cidade. O vereador acusou Pedro Reis de, na prática, ter sugerido à moradora que se fosse embora. O vice-presidente rejeitou a acusação, lembrando que a munícipe conhecia as condições da rua quando comprou a casa e reiterando que a câmara está limitada, em termos financeiros, para responder a todas as solicitações.

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