Moradora do Cartaxo denuncia “miséria autêntica” em rua sem alcatrão nem saneamento
Maria Margarida Carvalho mudou-se há dois meses para a Rua da Estrada da Oira e levou à câmara um rol de queixas: falta de saneamento, rua em terra batida, poste de electricidade inclinado e dificuldades de acesso a ambulâncias.
Maria Margarida Carvalho levou à reunião pública da Câmara do Cartaxo, realizada a 7 de Maio, a situação que diz ter encontrado na Rua da Estrada da Oira, para onde se mudou há apenas dois meses. A moradora denunciou a falta de infraestruturas básicas, nomeadamente ausência de alcatrão e saneamento, e alertou para o perigo de um poste de electricidade inclinado para o lado da sua habitação. A munícipe manifestou ainda preocupação com a dificuldade de acesso de ambulâncias à rua onde vive, referindo que a zona não oferece condições mínimas de segurança e mobilidade. A intervenção acabou por ir além das questões da via pública. Maria Margarida Carvalho contou ter pago 120 euros à Cartágua pela limpeza de uma fossa e disse ter descoberto, já depois da compra da habitação, a existência de um gasoduto na propriedade, facto que afirma não lhe ter sido comunicado pela anterior proprietária. “Deixámos o nosso património em Torres Vedras e ao fim ao cabo parámos numa miséria autêntica”, desabafou.
Pedro Reis, vice-presidente da Câmara do Cartaxo, que conduziu a reunião, mostrou disponibilidade para avaliar as matérias que dizem respeito ao município, mas procurou delimitar responsabilidades. O autarca reconheceu as preocupações relacionadas com as infraestruturas da rua, embora tenha sublinhado que questões como o gasoduto, a fossa ou eventuais omissões no processo de compra e venda da casa pertencem ao foro privado, entre comprador e vendedor. Quanto à melhoria das estradas naquela zona, Pedro Reis admitiu que a autarquia enfrenta limitações orçamentais e tem de estabelecer prioridades, privilegiando intervenções em locais com maior densidade populacional. Ainda assim, garantiu que o município não fecha a porta a futuras obras.
A resposta do vice-presidente foi criticada pelo vereador Luís Albuquerque, eleito pelo Chega, que defendeu que uma munícipe residente em zona rural “paga os mesmos impostos” e tem os mesmos direitos que quem vive na cidade. O vereador acusou Pedro Reis de, na prática, ter sugerido à moradora que se fosse embora. O vice-presidente rejeitou a acusação, lembrando que a munícipe conhecia as condições da rua quando comprou a casa e reiterando que a câmara está limitada, em termos financeiros, para responder a todas as solicitações.


