Sociedade | 19-05-2026 10:27

Sindicatos prometem greve forte no distrito contra pacote laboral

Sindicatos prometem greve forte no distrito contra pacote laboral
Imagem gerada por IA

União dos Sindicatos de Santarém diz que há mais descontentamento entre os trabalhadores e antecipa uma adesão à greve geral de 3 de Junho superior à registada em Dezembro. Saúde, comércio e indústria são alguns dos sectores onde se esperam perturbações.

A União dos Sindicatos de Santarém está a mobilizar os trabalhadores do distrito para a greve geral convocada pela CGTP-IN para 3 de Junho, em protesto contra o pacote laboral, que a estrutura sindical considera representar um ataque aos direitos dos trabalhadores e um agravamento das desigualdades. Em comunicado, a organização sindical assume um “firme compromisso” na preparação da paralisação, defendendo que as medidas propostas favorecem a precariedade, fragilizam a contratação colectiva e colocam em causa conquistas laborais alcançadas ao longo de décadas.
À Lusa, o dirigente sindical Mário Santos antecipou uma “expressão forte” da greve geral no distrito de Santarém, admitindo que a adesão possa ser superior à verificada em Dezembro. “Estamos a contar com uma participação massiva. É difícil fazer previsões, porque a greve depende sempre da decisão individual dos trabalhadores, mas acredito que haja mais pessoas a aderir”, afirmou. Segundo o sindicalista, o descontentamento tem vindo a crescer em vários sectores. Mário Santos apontou como exemplo a manifestação de professores realizada no sábado, em Lisboa, que, segundo referiu, mostrou o aumento da contestação social.
A greve deverá ter impacto na saúde, comércio e indústria. Na saúde, o dirigente sindical diz já existirem indicações de uma boa adesão, embora estejam salvaguardados os serviços mínimos. No comércio, admite que alguns estabelecimentos possam encerrar. No sector privado, destacou o caso da unidade da Nobre, em Rio Maior, onde os trabalhadores deverão aderir à greve geral e prolongar a paralisação por dois dias. Mário Santos sublinhou que a contestação ultrapassa a realidade concreta de cada empresa ou serviço, mesmo quando existem relações laborais estáveis. “O que está em causa é um pacote laboral punitivo e restritivo”, afirmou, considerando que as alterações terão impacto transversal no sector público e privado. O dirigente reconhece que a perda de um dia de salário pesa no orçamento dos trabalhadores, mas defende que muitos estarão disponíveis para aderir à greve por entenderem que está em causa o futuro das suas condições de trabalho. Entre as principais reivindicações estão aumentos salariais, defesa da contratação colectiva, redução do custo de vida, protecção dos serviços públicos e melhoria do rendimento das famílias.

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