Crianças fazem de claque em Alverca para aprender que fair play começa antes do jogo
Alunos do 1.º ciclo da Escola Básica da Quinta da Vala participaram numa simulação de entrada de adeptos no estádio do Futebol Clube de Alverca, numa acção da PSP que juntou segurança, prevenção e pedagogia.
A Divisão Policial de Vila Franca de Xira da PSP levou, na segunda-feira, o projecto “Fair Play” ao estádio do Futebol Clube de Alverca, onde dezenas de alunos do 1.º ciclo participaram numa simulação de acesso de uma claque a um recinto desportivo. Mas, desta vez, não havia adeptos exaltados nem ambiente de tensão. Os protagonistas foram crianças da Escola Básica da Quinta da Vala, em Alverca, que percorreram as ruas até à entrada do estádio no papel de adeptos de futebol. À chegada, colegas vestidos de polícias fizeram revistas simbólicas, acompanhados pelos spotters da PSP e por elementos do Departamento de Armas e Explosivos.
Durante a entrada no recinto, os agentes distribuíram às crianças cartões brancos de Fair Play, num gesto simbólico de promoção do respeito e da convivência saudável no desporto. “Acreditamos que começar por abordar estes assuntos desde muito cedo é importante para que consigamos, no futuro, assegurar que comportamentos de risco não são levados para os estádios nem para as ruas”, afirmou a O MIRANTE Bruno Pereira, comandante da Divisão Policial de Vila Franca de Xira. O responsável sublinhou que o objectivo é formar consciências desde cedo, promovendo “um convívio fraterno e são entre adeptos, independentemente da cor ou do clube que escolhemos”. A PSP admite, aliás, vir a replicar este tipo de acções junto de adolescentes.
Já dentro do estádio, sentadas na bancada, as crianças tiveram contacto com exemplos de artigos de pirotecnia proibidos em recintos desportivos. Assistiram também a um vídeo sobre comportamentos a adoptar no combate ao racismo, à xenofobia e à intolerância no desporto. Bruno Pereira adiantou que, desde a subida do Futebol Clube de Alverca à primeira divisão, não foram registados casos graves de segurança no recinto. Ainda assim, explicou que o modelo de policiamento aplicado em Alverca é semelhante ao utilizado em qualquer estádio do país, incluindo grandes recintos como o Estádio da Luz. “Temos de ter dimensões de segurança acrescidas, quer no acompanhamento, quer na monitorização, quer no escoamento dos adeptos, sempre conscientes de que o evento desportivo deve impactar o mínimo possível a normalidade de quem vive ou habita perto do estádio”, referiu.
O comandante da PSP considera que têm sido dados passos importantes no combate ao hooliganismo, mas defende que é necessário continuar a procurar soluções, algumas delas “fora da caixa”. Apontou como exemplo o Brasil, onde já existe legislação que prevê o controlo por reconhecimento facial em estádios de grande lotação, embora reconheça que nem todos os clubes têm capacidade financeira para suportar esse tipo de investimento. Em Inglaterra, recordou, são aplicadas interdições prolongadas a adeptos que incumpram as regras.
Apesar do trabalho desenvolvido por entidades nacionais e internacionais, como a UEFA e a FIFA, Bruno Pereira reconhece que não existem soluções definitivas para o problema da violência no desporto, sendo necessário ajustar estratégias de forma permanente. A pirotecnia continua a ser uma das principais preocupações. O comandante destaca a facilidade de acesso a estes materiais, muitas vezes comprados pela internet ou enviados por correio, o que dificulta o controlo na origem. A PSP tem realizado acções de sensibilização junto de comerciantes e operadores económicos, incluindo no concelho de Vila Franca de Xira. Bruno Pereira lembra, contudo, que a pirotecnia não é ilegal em si mesma e é usada em vários contextos festivos. O problema está no uso indevido. “A utilização imoderada e desadequada pode trazer cenários maus e, no limite, levar a que outras pessoas, que nada têm a ver com isso, se aleijem. É isso que procuramos evitar”, concluiu.


