Destruição de ninhos de andorinha revolta moradores da Golegã
Mais de uma dezena de ninhos de andorinha terão sido destruídos num beiral de uma habitação na Golegã, alguns com crias e ovos. O caso já foi denunciado ao SEPNA/GNR e ao ICNF e está a ser alvo de averiguações.
A alegada destruição de mais de uma dezena de ninhos de andorinha, alguns com crias e ovos, na Rua Dom João IV, na Golegã, está a gerar indignação entre moradores e membros da comunidade ligada à observação de aves. O caso foi denunciado às autoridades competentes e encontra-se agora em averiguações. Segundo uma denúncia enviada à redacção de O MIRANTE, no beiral de uma habitação daquela rua existiriam, há cerca de duas semanas, mais de 15 ninhos activos, onde era possível observar as aves adultas a alimentar as crias. No dia 1 de Maio, adianta a denunciante, todos os ninhos tinham desaparecido. “Além de criminoso, porque é ilegal, é um acto de extrema violência e crueldade. Muitos dos ninhos tinham crias e outros ovos”, afirma Vera Justino, autora da denúncia, sublinhando que o desaparecimento ocorreu em plena época de reprodução das aves.
A Guarda Nacional Republicana confirmou a O MIRANTE a existência de três denúncias relacionadas com o caso, registadas através da Linha SOS Ambiente. Na sequência dessas denúncias, o Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente de Torres Novas foi informado e encontra-se, segundo a GNR, a realizar “todas as diligências policiais admissíveis e necessárias”, ao abrigo do princípio da legalidade. As andorinhas são aves protegidas e a remoção ou destruição de ninhos carece de enquadramento legal, sobretudo durante o período de nidificação. O portal gov.pt identifica a existência de licença própria para remoção de ninhos de espécies de aves abrangidas pelo Decreto-Lei n.º 140/99, cabendo ao ICNF avaliar esses pedidos. A SPEA refere igualmente que a remoção de ninhos de andorinha só pode ocorrer mediante autorização do ICNF, geralmente fora da época de nidificação.
O caso ganha particular sensibilidade pela proximidade ao Paul do Boquilobo, uma das zonas húmidas mais emblemáticas da região e local privilegiado para a observação de aves. Para os denunciantes, a destruição de ninhos em plena época reprodutiva representa não apenas uma agressão ambiental, mas também um sinal preocupante de desrespeito por espécies que fazem parte da paisagem natural e urbana da Golegã. A autora da denúncia defende uma intervenção rápida das autoridades para apurar responsabilidades e garantir que situações semelhantes não se repetem. A investigação prossegue.


