Sociedade | 20-05-2026 14:36

Destruição de ninhos de andorinha revolta moradores da Golegã

Destruição de ninhos de andorinha revolta moradores da Golegã
foto dr

Mais de uma dezena de ninhos de andorinha terão sido destruídos num beiral de uma habitação na Golegã, alguns com crias e ovos. O caso já foi denunciado ao SEPNA/GNR e ao ICNF e está a ser alvo de averiguações.

A alegada destruição de mais de uma dezena de ninhos de andorinha, alguns com crias e ovos, na Rua Dom João IV, na Golegã, está a gerar indignação entre moradores e membros da comunidade ligada à observação de aves. O caso foi denunciado às autoridades competentes e encontra-se agora em averiguações. Segundo uma denúncia enviada à redacção de O MIRANTE, no beiral de uma habitação daquela rua existiriam, há cerca de duas semanas, mais de 15 ninhos activos, onde era possível observar as aves adultas a alimentar as crias. No dia 1 de Maio, adianta a denunciante, todos os ninhos tinham desaparecido. “Além de criminoso, porque é ilegal, é um acto de extrema violência e crueldade. Muitos dos ninhos tinham crias e outros ovos”, afirma Vera Justino, autora da denúncia, sublinhando que o desaparecimento ocorreu em plena época de reprodução das aves.
A Guarda Nacional Republicana confirmou a O MIRANTE a existência de três denúncias relacionadas com o caso, registadas através da Linha SOS Ambiente. Na sequência dessas denúncias, o Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente de Torres Novas foi informado e encontra-se, segundo a GNR, a realizar “todas as diligências policiais admissíveis e necessárias”, ao abrigo do princípio da legalidade. As andorinhas são aves protegidas e a remoção ou destruição de ninhos carece de enquadramento legal, sobretudo durante o período de nidificação. O portal gov.pt identifica a existência de licença própria para remoção de ninhos de espécies de aves abrangidas pelo Decreto-Lei n.º 140/99, cabendo ao ICNF avaliar esses pedidos. A SPEA refere igualmente que a remoção de ninhos de andorinha só pode ocorrer mediante autorização do ICNF, geralmente fora da época de nidificação.
O caso ganha particular sensibilidade pela proximidade ao Paul do Boquilobo, uma das zonas húmidas mais emblemáticas da região e local privilegiado para a observação de aves. Para os denunciantes, a destruição de ninhos em plena época reprodutiva representa não apenas uma agressão ambiental, mas também um sinal preocupante de desrespeito por espécies que fazem parte da paisagem natural e urbana da Golegã. A autora da denúncia defende uma intervenção rápida das autoridades para apurar responsabilidades e garantir que situações semelhantes não se repetem. A investigação prossegue.

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