Sociedade | 20-05-2026 10:00

Vila Franca de Xira pode voltar ao mapa dos partos de baixo risco

Vila Franca de Xira pode voltar ao mapa dos partos de baixo risco
Fecho das urgências de obstetrícia em VFX tem gerado queixas e protestos da comunidade - foto arquivo O MIRANTE

Ordem dos Enfermeiros defende reconversão dos serviços de urgência encerrados em centros de parto normal. Proposta abrange Vila Franca de Xira e Barreiro, enquanto autarcas continuam a exigir ser ouvidos no Parlamento sobre o fecho das urgências de ginecologia.

A Ordem dos Enfermeiros defendeu esta semana que os serviços de urgência encerrados nos hospitais de Vila Franca de Xira e do Barreiro podem ser reconvertidos em centros de parto normal, destinados ao acompanhamento de gravidezes de baixo risco. A proposta surge num contexto de contestação ao encerramento das urgências de ginecologia e obstetrícia e de preocupação com o aumento das cesarianas no Serviço Nacional de Saúde. A posição foi assumida por Alexandrina Cardoso, presidente da Mesa do Colégio da Especialidade de Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica da Ordem dos Enfermeiros, durante uma audição parlamentar sobre o crescimento do número de cesarianas no SNS, realizada a pedido do Partido Socialista.
Segundo a responsável, os hospitais de Vila Franca de Xira e do Barreiro têm condições para acolher este modelo, através da adaptação dos espaços existentes e da reorganização das equipas. A proposta passa pela criação de centros de parto normal inseridos nos serviços de obstetrícia, vocacionados para grávidas de baixo risco e acompanhados por enfermeiros especialistas em saúde materna e obstétrica. Alexandrina Cardoso criticou o actual modelo, no qual, afirmou, as grávidas acabam por ser integradas no mesmo circuito assistencial, sem uma diferenciação clara entre situações de baixo e alto risco. Para a Ordem dos Enfermeiros, essa ausência de distinção contribui para práticas menos adequadas e para uma excessiva medicalização do parto. A dirigente lembrou que este tipo de resposta já existe em países como o Reino Unido e os Estados Unidos e pode ser implementado em Portugal sem necessidade de criar estruturas totalmente novas. Bastaria, defendeu, aproveitar os serviços existentes e valorizar as competências dos enfermeiros especialistas.
A proposta surge num momento em que Portugal continua a apresentar uma taxa elevada de cesarianas. Segundo Alexandrina Cardoso, o SNS regista actualmente mais de 33 cesarianas por cada 100 partos, valor considerado excessivo e classificado em relatórios europeus como prestação de cuidados de baixo valor. A responsável referiu ainda que, no último relatório da OCDE, Portugal integra o grupo dos dez países com taxas mais elevadas de cesariana entre os 34 analisados.

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