Estacionar o carro no concelho de Vila Franca de Xira vai começar a pesar na carteira
Nas zonas vermelhas está previsto um custo superior a três euros para estacionar o carro durante duas horas. Oposição está dividida sobre a ideia que vai agora para discussão pública e já circula uma petição contestatária que em poucas horas somou mais de três milhares de assinaturas.
Depois de décadas sem um único parquímetro, as cidades de Alverca do Ribatejo e da Póvoa de Santa Iria podem passar a ter em breve estacionamento tarifado e a cidade de Vila Franca de Xira - a única do concelho que já tinha parquímetros - a ver o sistema actualizado e revisto. Uma decisão que está a gerar polémica com mais de três mil pessoas a assinarem uma petição contra a ideia, que consideram lesiva dos interesses da comunidade e que vai ser entregue na câmara municipal.
O município vai enviar para consulta pública um novo regulamento de mobilidade e estacionamento que prevê a expansão do estacionamento tarifado e a criação de novas regras para residentes, empresas e utilizadores ocasionais. A proposta, aprovada em reunião de câmara, cria quatro zonas distintas - vermelha, amarela, verde e azul - com diferentes tempos máximos de permanência e tarifas. Nas áreas de maior pressão automóvel, classificadas como zona vermelha, o estacionamento ficará limitado a duas horas e terá um custo máximo previsto de 3,20€.
Já as zonas amarela e verde terão permanência máxima de quatro horas, com um custo de quatro euros para as quatro horas da zona amarela e máximo de 2,40€ na zona verde. A zona azul será orientada para estacionamento prolongado e bilhetes diários, a custarem até um euro. O regulamento introduz ainda a ideia de conceder dísticos de residente e empresa, com limites por fogo e por estabelecimento, mas exclui ambos da zona vermelha.
Dísticos de residente também pagam
O regulamento prevê até 3 dísticos de residente por habitação, com a possibilidade de um quarto dístico em situações justificadas, com a validade de um ano e que custam entre 12 euros por ano (para um dístico) ou 150 euros por ano, para três dísticos. Há, no entanto, limites globais de dísticos disponíveis: 750 para VFX, 2.182 para Alverca e 1.333 para a Póvoa de Santa Iria. As empresas também podem requisitar um dístico pagando 30 euros por mês. Quem quiser pagar por um lugar privativo numa determinada rua pode fazê-lo, pagando 2.000 euros por ano na zona vermelha, 1.700€ na amarela e 1.500€ na zona azul.
As áreas abrangidas pelo estacionamento tarifado poderão ser consultadas no processo quando avançar a discussão pública, mas saltam à vista locais como a zona velha da Póvoa de Santa Iria e partes da área perto da Quinta da Piedade, toda a zona central de Alverca do Ribatejo e a maioria do núcleo urbano da cidade de Vila Franca de Xira. Ao todo, prevê-se a criação de 882 lugares tarifados em VFX, 3.193 em Alverca e 1.882 na Póvoa de Santa Iria.
O presidente do município, Fernando Paulo Ferreira (PS), explica que o objectivo é responder ao aumento da pressão automóvel e à ocupação prolongada dos lugares, sobretudo junto a interfaces de transporte e zonas comerciais, promovendo maior rotatividade de lugares, desincentivar o estacionamento de longa duração e incentivar ao uso de transportes públicos. “Estamos a aprovar apenas o envio do documento para discussão pública. Depois numa segunda fase poderemos tomar mais decisões de forma definitiva”, afirmou.
Uma “máquina permanente para sacar dinheiro”
A submissão do regulamento para discussão pública foi aprovada com os votos a favor do PS e coligação Nova Geração (PSD/IL) e os votos contra da CDU e Chega, que a consideram lesiva da bolsa dos automobilistas. O vereador Barreira Soares, do Chega, criticou “mais uma forma de caça à multa” e Cláudia Martins, da CDU, criticou que o PS não tenha promovido sessões públicas para ouvir a população. “Não podemos querer tarifar todas as pessoas sem lhes dar uma alternativa ao automóvel”, vincou, lembrando que concessionar o estacionamento significa tornar o espaço público numa “máquina permanente para sacar dinheiro” aos moradores.
O vereador David Pato Ferreira, da Nova Geração, considerou o regulamento “uma das decisões mais importantes da década” e aprovou a submissão do documento para consulta pública lamentando que ele seja forte na componente administrativa mas curto na visão estratégica de crescimento de cidade, defendendo a criação de uma empresa municipal de mobilidade para gerir o estacionamento.


