Sociedade | 21-05-2026 18:00

Jovens de Vila Franca de Xira chamados a ter papel activo na sinalização de casos sociais

Jovens de Vila Franca de Xira chamados a ter papel activo na sinalização de casos sociais
Da esquerda para a direita: Irina Bruxela, professor Luís Lourenço, Mariana Melo, Teresa Teixeira, Andreia Antunes, Ana Bilé, Leonor Celourico e Raquel Sousa - foto O MIRANTE

Projecto Radar Social foi apresentado a alunos do ensino secundário do concelho de Vila Franca de Xira, numa acção de sensibilização para a identificação e sinalização de situações de vulnerabilidade social. A iniciativa pretende reforçar o papel da comunidade, incluindo os mais jovens, na detecção precoce de casos de risco.

A sinalização de situações de vulnerabilidade e/ou risco de exclusão social pode e deve ser feita directamente por qualquer membro da comunidade, incluindo os mais jovens. Este foi o mote para a apresentação do projecto Radar Social às turmas do 12.º ano do ensino regular e profissional de todas as escolas do concelho de Vila Franca de Xira. O MIRANTE acompanhou a última sessão, na Escola Básica e Secundária Professor Reynaldo dos Santos, em Vila Franca de Xira, onde os alunos, entre os 17 e os 18 anos, ficaram a saber como reportar este tipo de casos através de formulário disponível no site do município.
As dúvidas foram muitas sobre como devem agir caso tenham conhecimento de situações de pessoas sem-abrigo, toxicodependência ou presença de grupos em determinados locais. Questões que foram respondidas pelas técnicas da câmara, que explicaram que muitos dos casos são reencaminhados para outras entidades. O projecto Radar Social do Município de Vila Franca de Xira, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), começou há quase dois anos, sendo que a primeira fase foi de estudo, planeamento, concepção do projecto até à fase operativa, que é a que está actualmente a decorrer em pleno.
Raquel Sousa e Leonor Celorico, com 17 anos, estudam no 12.º ano em Humanidades. Raquel não conhecia o Radar Social, mas diz que já tinha noção de situações de vulnerabilidade, uma vez que faz parte do grupo de jovens da igreja, em Castanheira do Ribatejo. “Aqui na escola acho que é claro que existem situações de vulnerabilidade, estamos todos em contextos sociais completamente diferentes. Mas nunca actuei em nenhuma situação”, afirma.
Também Leonor desconhecia o projecto e a forma de sinalizar os casos, mas admite recorrer à ferramenta caso considere pertinente. “Quem está atento e está na escola apercebe-se de diversas situações. Mas acho que muita gente tenta não se meter por não saber o contexto em que a pessoa está e não saber se a pessoa quer este tipo de ajuda”, diz.

Equipa técnica analisa e acompanha sinalizações
A equipa do Radar Social é composta por seis elementos que recebem as referências sinalizadas pelos cidadãos, entidades particulares e públicas e empresas. Os técnicos analisam, avaliam e fazem a triagem. Depois vão para o terreno, contactam com as famílias e avaliam para perceber se a vulnerabilidade ou a denúncia corresponde à realidade. Por vezes até pode ser mais complexa do que aquilo que é apenas sinalizado.
De acordo com Teresa Teixeira, directora do Departamento de Direitos Sociais e Parque Habitacional Público do Município de Vila Franca de Xira, até à data o Radar Social recebeu cerca de 80 sinalizações. Alguns destes casos já são conhecidos pelas técnicas e parte deles já estava a ser acompanhada. “A pessoa só muda quando aceita o seu processo de mudança. É fácil dizer que os serviços não fazem nada, que a pessoa continua ali. Mas ninguém imagina quantas abordagens é que a técnica já fez, a equipa já fez, a saúde pública já fez. O processo pode estar no Ministério Público e demora o seu tempo e, muitas vezes, a pessoa aceita, por exemplo, sair da rua e volta novamente ou sai e aparece mais tarde. E lá estaremos nós outra vez para recomeçar tudo”, explicou a O MIRANTE.
Actualmente, avança a responsável, o número de sem-abrigo no concelho é residual, comparando com alturas em que chegaram a existir 30 pessoas a viver na rua. Com ajuda e intervenção social, parte delas arranjou emprego, conseguiu alugar um quarto ou passou a receber pensão de velhice ou invalidez, apoio alimentar e até medicação. “Agora, há meia dúzia de pessoas que é muito mais difícil aceitarem a mudança”, explica.

Jovens com menor percepção das situações de risco social
Os jovens ainda não estão despertos para as situações de vulnerabilidade social, daí o Radar Social ter apresentado mais esta ferramenta de sinalização nas escolas, abrangendo quase 900 alunos, perto de atingirem a maioridade e se tornarem adultos mais conscientes. Mas é um trabalho contínuo. “Faz-lhes eco aquilo que é transmitido, entendem a mensagem, mas efectivamente, de tomar consciência até tomar a decisão e a atitude, vai um grande passo. Mas já conseguimos ter sinalizações de jovens. Tivemos um grupo de uma determinada escola que nos sinalizou uma situação que era complexa e que ainda está em avaliação e intervenção da nossa parte. E é isso: em 900 conseguirmos um, dois, três, já é qualquer coisa. É deixar a semente neles, mais tarde ou mais cedo vão lembrar-se”, sublinha Teresa Teixeira.

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