Sociedade | 21-05-2026 10:57

Museu Municipal de Santarém exige recursos, estratégia e vontade institucional

Museu Municipal de Santarém exige recursos, estratégia e vontade institucional
FOTO CMS

Mesa redonda debateu o passado, o presidente o futuro do Museu Municipal de Santarém, uma realidade com 150 anos de altos e baixos e ainda com muito para desenvolver e potenciar.

O historiador e técnico superior da Câmara de Santarém, Luís Mata, responsável pela redacção do Plano Museológico do Museu Municipal de Santarém (2026–2036), refere que o caminho a percorrer "exige recursos, continuidade e, sobretudo, uma vontade institucional clara". Um percurso que exige “uma estratégia de longo prazo, com equipas estáveis e com um projecto de museu que coloque a relação com a comunidade no centro, e não na periferia, da missão institucional".

Luís Mata falava durante uma mesa redonda, na noite de 18 de Maio, Dia Internacional dos Museus, que marcou o arranque das comemorações dos 150 anos do Museu Municipal de Santarém. No monumento onde nasceu o museu, a Igreja de São João do Alporão, o técnico defendeu uma visão de museu aberto ao território e às suas comunidades. "O museu não é o único detentor do saber sobre o seu território, e as comunidades têm formas de conhecimento que o museu deve saber acolher e valorizar”, disse, citado em nota divulgada pelo município.

O encontro, subordinado ao tema “Museu Municipal de Santarém: Que passado? Que presente? Que futuro?”, reuniu museólogos, investigadores e técnicos de património numa discussão sobre os desafios e as responsabilidades dos museus perante as comunidades que servem. O historiador Jorge Custódio, que foi coordenador da candidatura de Santarém a Património Mundial, sublinhou que qualquer museu "não é feito para especialistas, é feito para as pessoas", vincando a importância da tutela municipal. Lembrou que a maioria dos museus nacionais tem gestão autárquica, o que torna o planeamento estratégico uma responsabilidade incontornável dos municípios.

Clara Frayão Camacho alertou para o valor muitas vezes invisível das instituições culturais — "a importância do museu vê-se no dia em que fecha portas" — e defendeu que o museu deve continuar a ser uma instituição activa na vida cultural e cívica da cidade, capaz de atrair públicos diversificados. Já Alexandre Matos defendeu que a tecnologia é "uma ferramenta e um aliado, e não um adversário dos museus", destacando as potencialidades do acesso virtual às colecções como recurso educativo de alcance crescente.

A mesa-redonda inaugurou um programa comemorativo que se estenderá ao longo do ano, assinalando século e meio de uma instituição que nasceu em 1876 e que continua, 150 anos depois, a debater o seu papel na vida da cidade e do território. O local escolhido para a instalação do Museu de Santarém foi a igreja de São João do Alporão, então sede de uma sociedade particular de teatro.

Após obras de remodelação que decorreram entre 1877 e 1889, o Museu abriu ao público, com um figurino distrital, no ano de 1889, passando para a tutela municipal em 24 de Dezembro de 1892. Após uma longa hibernação, em 1992 a Câmara de Santarém determinou o fecho do velho ‘Museu dos Cacos’, iniciando uma profunda reestruturação. A realidade museológica actual de Santarém, sob responsabilidade do município, divide-se pelo Núcleo Museológico de Arte e Arqueologia (Igreja de S. João do Alporão), Núcleo Museológico do Tempo – 1ª fase (Torre das Cabaças), Casa-Museu Anselmo Braamcamp Freire e Centro de Interpretação Urbi Scallabis, nas Portas do Sol.

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