Sociedade | 22-05-2026 12:00

Ourém lidera fogos no distrito; Benavente, Santarém e Coruche completam mapa de pressão

Ourém lidera fogos no distrito; Benavente, Santarém e Coruche completam mapa de pressão
O distrito de Santarém somou 486 incêndios rurais em 2025 - foto IA

Ourém é o concelho do distrito de Santarém com mais incêndios rurais registados em 2025, num mapa de risco que também coloca em evidência Abrantes, Benavente, Santarém e Coruche. Alenquer e Azambuja apresentam números expressivos, confirmando que o fogo em florestas, matos e explorações agrícolas continua a ser uma ameaça persistente no Ribatejo.

Os incêndios rurais continuam a deixar marcas desiguais na Lezíria e no Médio Tejo. Os dados de 2025, que contabilizam fogos em florestas, matos e explorações agrícolas, mostram que o distrito de Santarém soma 486 ocorrências, com Ourém no topo da lista. Ourém é o concelho do distrito com mais incêndios rurais registados: 74 ocorrências. Segue-se Abrantes, com 61, num território marcado por extensas zonas florestais e rurais. Benavente surge em terceiro lugar, com 52 fogos, seguido de Santarém, com 49, e Coruche, com 38. São cinco concelhos que, em conjunto, representam uma fatia expressiva do problema e obrigam a olhar para o ordenamento, para a limpeza dos terrenos e para a vigilância de proximidade.
Num segundo patamar aparecem Salvaterra de Magos, com 32 incêndios, Almeirim, com 25, Tomar, com 21, Cartaxo, com 18, Torres Novas, com 17, Rio Maior, com 16, e Alpiarça, com 15. Chamusca e Constância registaram 12 ocorrências cada. Alcanena e Ferreira do Zêzere tiveram oito incêndios cada, enquanto Sardoal, Golegã e Vila Nova da Barquinha aparecem com seis. Mação e Entroncamento fecharam a lista com cinco ocorrências cada. A leitura mostra um distrito com realidades diferentes. Ourém, Abrantes e Coruche expõem a dimensão rural e florestal do problema; Benavente, Santarém e Salvaterra mostram que a pressão também se sente em áreas de forte ocupação humana e agrícola.
Na zona norte do distrito de Lisboa, Alenquer registou 45 incêndios, Azambuja 36, Vila Franca de Xira 14 e Arruda dos Vinhos cinco. Alenquer e Azambuja, em particular, apresentam valores que os colocam ao nível de vários concelhos do distrito de Santarém. Estes números não medem a área ardida, mas contam ignições.

Fogos e eucalipto: sobreposição existe, mas não explica tudo

A leitura dos incêndios rurais de 2025 com a mancha florestal de eucalipto mostra que vários dos concelhos da região com mais ignições têm também uma presença expressiva desta espécie. Ourém, que lidera o distrito com 74 fogos, tem 12.793,63 hectares de eucalipto, o equivalente a 50,85% da área florestal considerada. Abrantes, segundo na lista com 61 incêndios, apresenta a maior mancha absoluta entre os concelhos destacados: 31.751,81 hectares, correspondentes a 48,39% da sua área florestal. Santarém reforça esta sobreposição: com 49 fogos, tem 73,26% da área florestal ocupada por eucalipto. Também fora do distrito, Alenquer e Azambuja ajudam a perceber a continuidade territorial do problema: Alenquer registou 45 incêndios e tem 78,33% da sua área florestal dominada por eucalipto; Azambuja somou 36 ocorrências e apresenta 73,17%.
Mas os dados também obrigam a cautela. Benavente, com 52 fogos, tem apenas 29,56% de eucalipto no total florestal considerado; Coruche, com 38 incêndios, fica nos 26,04%, embora tenha uma área absoluta relevante de eucalipto, superior a 13 mil hectares. Isto mostra que a presença de eucalipto ajuda a ler parte do risco, mas não explica sozinha o mapa das ignições. O fogo resulta também da gestão dos terrenos, do abandono, da interface entre povoações e espaços rurais, do uso do fogo e da vigilância.
Existem ainda alguns números a reter: Rio Maior tem uma das maiores percentagens de eucalipto da região, 84,98%, mas registou “apenas” 16 fogos; Alpiarça chega aos 78,18%, com 15 ocorrências; Constância apresenta 66,67%, com 12 fogos; e Ferreira do Zêzere tem 75,08%, com oito incêndios. A relação existe no território, mas não é automática: onde há eucalipto pode haver maior carga combustível, mas cada ignição continua a depender do uso e da gestão concreta do solo.

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