Sociedade | 24-05-2026 18:00

Santarém é o terceiro distrito do país com mais terrenos por limpar

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FOTO ILUSTRATIVA

GNR identificou 667 situações de falta de limpeza de terrenos no distrito de Santarém até final de Abril. Apesar de o número ser inferior ao registado no ano passado, o distrito continua entre os mais problemáticos do país.

A Guarda Nacional Republicana sinalizou 667 terrenos por falta de limpeza no distrito de Santarém até 30 de Abril, no âmbito da operação Floresta Segura, colocando o território ribatejano no terceiro lugar nacional com mais situações detectadas. Santarém surge apenas atrás de Leiria, com 1.908 sinalizações, e Bragança, com 1.213. Apesar da descida face ao mesmo período de 2025, quando tinham sido sinalizados 941 terrenos no distrito, os números continuam a colocar Santarém no mapa das zonas onde a gestão de combustíveis exige maior atenção. A falta de limpeza de terrenos continua a ser uma das principais preocupações das autoridades na prevenção de incêndios rurais, sobretudo numa região marcada por extensas áreas florestais, agrícolas e de mato junto a povoações e infraestruturas. A nível nacional, a GNR sinalizou 8.548 terrenos por limpar até final de Abril, menos do que os 10.417 registados no período homólogo do ano passado. A força de segurança explica, contudo, que parte da actividade operacional foi desviada para a monitorização dos efeitos da tempestade Kristin, que atingiu também o distrito de Santarém, além de Leiria, Castelo Branco e Coimbra. Segundo Ricardo Vaz Alves, da direcção do Serviço de Protecção da Natureza e Ambiente (SEPNA), a GNR realizou cerca de 3.100 monitorizações relacionadas com carga combustível deixada nos terrenos após a tempestade. Só no âmbito da operação associada à Kristin, Leiria registou cerca de 2.100 sinalizações. Os dados nacionais revelam um agravamento preocupante da situação dos incêndios rurais. Entre 1 de Janeiro e 30 de Abril deste ano, a GNR registou 2.008 ocorrências de incêndio rural, contra 764 no mesmo período de 2025. A área ardida também aumentou, passando de 3.418,4 hectares para 8.976,4 hectares.
O número de detenções disparou. Até ao final de Abril tinham sido detidas 76 pessoas, quando no mesmo período do ano passado tinham sido 14. O director do SEPNA adiantou ainda que, oito dias depois do fecho desses dados, o número já subia para 81 detidos. As queimas e queimadas continuam a ser apontadas como a principal causa das ocorrências. Segundo Ricardo Vaz Alves, entre 67% e 70% das causas investigadas de incêndios estão relacionadas com este tipo de práticas, um dado considerado “muito significativo” para a altura do ano. A GNR já remeteu aos municípios e entidades gestoras de infraestruturas os ficheiros de georreferenciação com as áreas por limpar, para que sejam tomadas medidas de regularização. Os prazos para a gestão de combustível decorrem até 31 de Maio, em regra, e até 30 de Junho nos concelhos abrangidos por declaração de calamidade devido às tempestades de Janeiro e Fevereiro.

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