Sociedade | 25-05-2026 07:00

Derrocada na Carregueira deixa idosa fora de casa há quase três meses

Derrocada na Carregueira deixa idosa fora de casa há quase três meses
Derrocada está a ser uma dor de cabeça para uma idosa e os seus familiares que estão impedidos de usar a habitação - foto DR

Uma idosa de 80 anos, com baixa mobilidade, está há quase três meses impedida de viver na sua casa, na Carregueira, depois da queda de parte da parede do antigo Lagarão para o quintal da habitação. A família denuncia uma situação arrastada, marcada por prejuízos, desgaste emocional e falta de soluções. Autarquia sustenta que o caso é um problema entre confinantes e que não existe perigo para a via pública.

A queda de parte de uma parede do antigo Lagarão, na Rua do Lagarão, na Carregueira, concelho da Chamusca, está a deixar uma idosa de 80 anos, com baixa mobilidade, afastada da casa onde vive. A denúncia chegou a O MIRANTE por intermédio de um morador, que relata uma situação arrastada desde 11 de Fevereiro, dia em que parte da estrutura terá começado a ruir para o quintal da habitação adjacente. Segundo o denunciante, a Protecção Civil foi contactada logo nesse dia e, posteriormente, terá envolvido a Junta de Freguesia da Carregueira e a Câmara Municipal da Chamusca. Perante o receio de novas derrocadas, a idosa foi retirada pelos familiares e passou a viver em casa da filha, num espaço pequeno, continuando, ainda assim, a suportar renda, água e luz da habitação que deixou de poder utilizar por razões de segurança.
O morador afirma que a queda da parede destruiu vasos no quintal e que, com a casa fechada, a humidade acabou por danificar bens no interior, incluindo alimentos e uma televisão. A situação, garante, tem causado desgaste emocional e físico à idosa e à família que a acolheu, obrigando todos a alterar rotinas e a viver em condições mais apertadas. O morador aponta ainda críticas à lentidão do processo. Inicialmente, refere, as entidades terão explicado que o assunto dizia respeito ao proprietário do Lagarão, que não estaria identificado. Mais tarde terá sido apurado que o imóvel pertence a um homem residente em Santa Iria da Azóia. O proprietário deslocou-se ao local e comprometeu-se, segundo o relato, a retirar cinco carros existentes no interior do Lagarão, o entulho caído no quintal da idosa e a parte restante da parede que poderia representar risco. Os trabalhos terão começado apenas depois de 15 de Março, com a remoção de entulho para dois contentores colocados junto ao portão da casa, dificultando durante cerca de duas semanas o acesso à habitação da idosa e a outras casas do mesmo senhorio. No dia 4 de Maio, a Protecção Civil voltou ao local, a pedido da Câmara da Chamusca, para verificar as condições de segurança após a colocação de vigas de ferro no imóvel.
Contactada pelo nosso jornal, a Junta de Freguesia da Carregueira diz que sinalizou o proprietário conforme procedimento normal. A junta notificou também a Câmara da Chamusca e a Protecção Civil, que concluíram não existir perigo para a via pública. A autarquia afirma tratar-se de um problema entre confinantes, embora lamente a situação e admita que, legalmente, nada pode fazer.

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