Rancho de Torres Novas já tem espaço digno para ensaiar
Depois de ter suspendido ensaios, empacotado o espólio e levado a revolta para a rua, o Rancho Folclórico de Torres Novas voltou a ter um espaço com condições. O protocolo de cedência foi assinado com o município e é visto pela colectividade como um balão de oxigénio para o futuro.
O Rancho Folclórico de Torres Novas voltou a ter um local digno para ensaiar, depois de meses marcados por queixas sobre a degradação da antiga sede, falta de segurança e incerteza quanto ao futuro da colectividade. A solução ficou formalizada na sexta-feira, 22 de Maio, com a assinatura de um Protocolo de Cedência Temporária de Espaço entre a Câmara de Torres Novas e a direcção do rancho, representada pelo presidente Nelson Campos e pela vice-presidente Ana Sofia Silva.
O presidente da Câmara de Torres Novas, José Trincão Marques, classificou a assinatura do protocolo como um “momento alto de respeito mútuo e valorização da cultura e do associativismo torrejano”. O autarca garantiu, numa publicação nas redes sociais, que o município está disponível para apoiar, dentro das suas possibilidades, a cultura, as associações e o património cultural material e imaterial do concelho.
Também o Rancho Folclórico de Torres Novas assinalou publicamente a importância do acordo, descrevendo o dia 22 de Maio como “memorável” para a sua história. A direcção considera que a cedência temporária do espaço é um voto de confiança e uma resposta concreta a uma “luta pacífica, mas longa e exigente”.
A cedência deste espaço põe fim a um período difícil para uma associação fundada em 1958 e que chegou a suspender ensaios devido às condições da sede que ocupava. Tal como O MIRANTE noticiou, o edifício apresentava problemas de infiltrações, queda de partes do tecto falso e sinais de insalubridade, com a entrada de insectos, répteis e roedores, situação que levou a direcção a considerar que já não estavam garantidas as condições mínimas para a presença dos elementos do grupo, incluindo crianças. Nesse sentido, empacotaram o seu espólio em caixotes e, em Março e Abril, já cansado de promessas e sem resposta definitiva, o grupo levou o protesto para a rua e ensaiou ao relento na Praça dos Claras, sem sistema de som, trajes ou sapatos tradicionais, num gesto simbólico que expôs publicamente o impasse.


