Sociedade | 28-05-2026 15:00

Conflito entre Câmara da Chamusca e encarregado-geral chega ao fim com pedido de pré-reforma

Conflito entre Câmara da Chamusca e encarregado-geral chega ao fim com pedido de pré-reforma
Fernando Brás, encarregado-geral da Câmara da Chamusca, manteve braço-de-ferro laboral com o município durante vários anos - foto arquivo O MIRANTE

Câmara da Chamusca e Fernando Brás colocaram ponto final num conflito laboral que se arrastava há vários anos. O município agora presidido por Nuno Mira deu ao encarregado-geral a possibilidade de assumir funções de chefia dos auxiliares no novo centro de saúde, mas, depois de alguns dias de reflexão, o trabalhador optou por pedir a pré-reforma.

O longo braço-de-ferro entre a Câmara Municipal da Chamusca e Fernando Brás, encarregado-geral da autarquia, chegou ao fim. Depois de anos marcados por polémica, isolamento laboral e críticas públicas à forma como o trabalhador foi mantido sem funções efectivas no campo de jogos da Chamusca, o município, agora presidido por Nuno Mira, procurou dar uma saída ao caso. A solução passou pela possibilidade de Fernando Brás assumir funções de chefia dos auxiliares no novo centro de saúde. O trabalhador, que desde 1979 estava ao serviço da Câmara da Chamusca e que chegou ao lugar de encarregado-geral ainda no tempo da presidência de Sérgio Carrinho, pediu alguns dias para ponderar a proposta. Depois desse período de reflexão, acabou por optar pela pré-reforma, encerrando assim uma situação que se arrastava há vários anos e que O MIRANTE acompanhou em diferentes momentos.
O caso ganhou maior visibilidade pública quando O MIRANTE revelou que Fernando Brás, apesar de continuar a ter a categoria de encarregado-geral, estava instalado num gabinete no campo de jogos da Chamusca, sem responsabilidades concretas atribuídas. Em Março de 2025, o então presidente da câmara, Paulo Queimado, defendia que o trabalhador estava “a cumprir funções no devido local”, apesar de a situação já ser então apontada como exemplo de má gestão de recursos humanos e de eventual perseguição laboral por juristas ouvidos pelo nosso jornal.
Com a mudança política no município, a autarquia liderada por Nuno Mira procurou desbloquear o impasse. A proposta para o novo centro de saúde representava uma tentativa de reintegrar Fernando Brás numa função de chefia, compatível com a sua categoria e experiência acumulada ao longo de décadas de serviço público. A decisão final, no entanto, coube ao trabalhador, que preferiu antecipar a saída da vida activa. Fica assim encerrado um processo que durante anos expôs fragilidades na gestão interna da Câmara da Chamusca e levantou dúvidas sobre a forma como uma autarquia deve tratar os seus trabalhadores. Fernando Brás sai pela porta da pré-reforma, depois de uma carreira longa no município e de um período final de 12 anos marcado por um conflito que, no mínimo, deveria ter chegado ao Ministério Público.

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