Data Center continua a levantar mais dúvidas do que certezas em Abrantes
Megaprojecto do Data Center previsto para Abrantes, anunciado como um investimento histórico de sete mil milhões de euros, continua a levantar dúvidas sobre a sua concretização, os benefícios fiscais concedidos pela autarquia e o real estado de avanço do processo.
O projecto do megacentro de dados previsto para os terrenos da antiga RPP Solar, junto à Central do Pego, voltou a aquecer a reunião da Câmara de Abrantes. O investimento, anunciado como histórico, está avaliado em sete mil milhões de euros e prevê criar mais de mil postos de trabalho até 2030, mas continua envolto em interrogações sobre prazos, investidores, licenciamento e contrapartidas municipais. A vereadora Ana Oliveira questionou Manuel Valamatos sobre o contrato entre a autarquia e a EDC Port 1, chamando a atenção para um cronograma onde surgem metas dadas como concluídas, apesar de a obra ainda não ter avançado. A autarca referiu que o licenciamento ambiental surge apenas com 20% de execução, enquanto fases associadas à licença de construção aparecem classificadas com 85%, sem que sejam conhecidos publicamente os investidores da operação.
No centro das dúvidas estão também os benefícios fiscais aprovados pela Câmara de Abrantes, nomeadamente isenções de IMI, IMT e Derrama no valor global de 16,2 milhões de euros. Manuel Valamatos garantiu que essas vantagens só terão efeito se o investimento se concretizar e adiantou que o município responderá por escrito às questões colocadas.
As reservas não são novas. Como O MIRANTE noticiou em Setembro de 2025, a aprovação das isenções à EDC ONE Lda. foi feita por unanimidade, mas com cautelas da oposição. O vereador do PSD na altura, Vítor Moura, assumiu então ter “reticências e algumas dúvidas sobre a concretização” do projecto, apontando o perfil da empresa proponente, criada há cerca de um ano e com capital social de cinco mil euros. A polémica ganhou força com as divergências sobre a classificação do projecto, apresentado como Projecto de Interesse Nacional, mas depois referido como Projecto de Interesse Municipal ou Projecto Empresarial de Importância Municipal. O MIRANTE noticiou também que a oposição questionou o Governo sobre eventuais recursos públicos e avaliações de impacto ambiental e social. O local escolhido carrega ainda um peso simbólico. Os terrenos da antiga RPP Solar foram, há 16 anos, palco de outro anúncio milionário, ligado à produção de painéis fotovoltaicos e à criação de milhares de postos de trabalho, que nunca chegou a concretizar-se.


