A grande sala de espectáculos de Santarém vai ser no CNEMA
Presidente da Câmara de Santarém diz que não há financiamento para construir de raiz um grande recinto para espectáculos na cidade, pelo que a opção passa pelo grande auditório do Centro Nacional de Exposições, propriedade de uma sociedade controlada pela CAP. Independentemente disso, o Teatro Rosa Damasceno é para recuperar e colocar ao serviço da população.
O presidente da Câmara de Santarém, João Leite (PSD), defende que a sala para espectáculos de grande dimensão de que Santarém necessita deve ser no grande auditório do Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas (CNEMA), mediante modificações a efectuar no espaço, independentemente da reabilitação do arruinado Teatro Rosa Damasceno, recentemente adquirido e que o autarca quer recuperar. O CNEMA é gerido pela Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), que tem posição dominante nessa sociedade e onde o município escalabitano é o segundo maior accionista.
Na última reunião do executivo, João Leite defendeu essa solução, depois de o vereador Nuno Domingos (PS), que no anterior mandato tutelou a área da Cultura, ter manifestado reservas quanto ao que se pretende fazer do Teatro Rosa Damasceno (TRD), num artigo publicado no jornal Correio do Ribatejo. O vereador considera que o imóvel deve ser preservado e deve continuar a ter uma função ligada às artes de palco, mas “não tem condições para ser hoje o teatro municipal que falta à cidade”.
Para Nuno Domingos, essa sala de espectáculos deve ter cerca de 700 lugares e ser vocacionada para acolher grandes produções artísticas, como concertos sinfónicos com orquestra, coro e solistas, grandes produções de dança, de teatro ou de circo, entre outras. E ser dotada de um cais técnico com acesso directo ao palco e zona de manobra exterior capaz de acolher camiões de grande tonelagem. Acrescenta que a localização desse novo recinto deve respeitar a inserção no tecido urbano, ter fácil acesso e ser servida por transportes públicos e estacionamento. Ora, diversas dessas condições são difíceis de cumprir na zona do centro histórico onde se localiza o Teatro Rosa Damasceno.
João Leite considera que a posição de Nuno Domingos é uma reflexão importante no âmbito do debate democrático, embora divirja nalguns pontos. O autarca diz que é necessário o centro histórico ter pessoas e, para isso, é fundamental criar pontos de atracção, como deve vir a ser o Rosa Damasceno, mas também a antiga Escola Prática de Cavalaria, o antigo presídio militar ou o mercado municipal. Para o TRD pretende-se criar uma sala até 550 lugares e constituir nessa zona um núcleo cultural forte, juntamente com o Teatro Taborda e um anfiteatro a construir entre essas duas salas de espectáculos.
O presidente vinca que não há financiamento comunitário para construir um novo edifício de raiz, que custaria entre 10 a 15 milhões de euros. Por isso entende que a solução deve ser no CNEMA, num auditório que conta com 1200 lugares sentados, depois de se resolverem as condicionantes relacionadas com o palco que poderão custar entre 1,5 e 2 milhões de euros.


