Abrantes monta rede de ataque rápido para travar incêndios ainda pequenos
Carrinhas com depósitos de água, sapadores, caçadores, freguesias e forças de segurança voltam a estar no terreno este Verão. Câmara investe 180 mil euros em 12 kits de primeira intervenção e admite preocupação com árvores caídas pela tempestade Kristin.
Abrantes prepara-se para enfrentar o Verão com uma estratégia assente na proximidade e na rapidez de resposta aos incêndios rurais. O Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais municipal para 2026 foi apresentado na freguesia de Bemposta e volta a mobilizar bombeiros, sapadores florestais, juntas de freguesia, associações de caçadores, forças de segurança, empresas do sector florestal e entidades de protecção civil. A prioridade é chegar depressa às ignições, antes que ganhem dimensão. “Os incêndios não nascem grandes, nascem todos pequenos”, afirmou o presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, defendendo que o ataque inicial é decisivo para proteger um concelho com 714 quilómetros quadrados, dimensão que comparou à ilha da Madeira. Este ano, o município celebrou contratos interadministrativos com 11 juntas de freguesia para operacionalizar 12 kits de primeira intervenção, num investimento global de 180 mil euros. Cada kit, apoiado com 15 mil euros, integra viaturas ligeiras equipadas com tanque de água, mangueiras, maquinaria e comunicações rádio, ficando posicionado em locais considerados estratégicos durante os períodos de maior risco.
Desde 2019, Abrantes já investiu cerca de 1,3 milhões de euros neste modelo de resposta rápida. A rede inclui ainda sapadores florestais da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo e da Associação de Agricultores, associações de caçadores, GNR, PSP, Cruz Vermelha, UEPS, RAME e empresas ligadas à floresta. Foram também assinados protocolos com sete associações de caçadores para reforçar a prevenção e vigilância. João Pitacas, 2.º comandante sub-regional de Protecção Civil do Médio Tejo, sublinhou que a extensão e dispersão territorial de Abrantes obrigam a ter “meios espalhados pelo território”. Entre sapadores, caçadores e freguesias, o concelho deverá contar com “25 a 30 viaturas de primeira intervenção muito rápidas”, meios que, apesar de pequenos, “são grandes em importância quando estão no território”. A vigilância, a dissuasão e o acompanhamento de situações de risco, como queimadas autorizadas, fazem também parte da missão. O objectivo é que, perante qualquer foco de incêndio, haja pelo menos um meio capaz de chegar ao local no menor tempo possível.
A Câmara de Abrantes admite, no entanto, preocupação acrescida este ano devido aos efeitos da tempestade Kristin, que atingiu o norte do concelho no final de Janeiro. Manuel Jorge Valamatos alertou para a existência de muitas árvores caídas, que aumentam a carga combustível, sobretudo em vales encaixados e zonas de difícil acesso.


