Sociedade | 29-05-2026 18:00

Juntas de freguesia não querem estacionamento tarifado no concelho de Vila Franca de Xira

Juntas de freguesia não querem estacionamento tarifado no concelho de Vila Franca de Xira
António Inácio, Carlos Gonçalves e Ricardo Carvalho

Intenção de alargar o estacionamento pago às cidades do concelho de Vila Franca de Xira continua a gerar críticas e somam-se as vozes contra, incluindo presidentes de junta e rostos conhecidos como Marco António, vocalista dos Lucky Duckies.

A ideia de colocar parquímetros nas cidades da Póvoa de Santa Iria, Alverca e Vila Franca de Xira continua a gerar uma onda de contestação - com mais de cinco mil assinaturas reunidas numa petição - e agora são os autarcas das três juntas de freguesia, de diferentes cores políticas, a juntar a sua voz ao coro de protestos. Ao todo, prevê-se a criação de 882 lugares tarifados em Vila Franca de Xira, 3.193 em Alverca e 1.882 na Póvoa de Santa Iria.
Os três autarcas não hesitam em apontar o dedo ao projecto, começando por António Inácio (Coligação Nova Geração (PSD/IL), líder da União de Freguesias da Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa, que se mostra “frontalmente contra” a ideia da câmara. “Há seis anos que não se cria um parque de estacionamento na união de freguesias. Há espaços, temos ideias, e é isso que vamos propor ao presidente da câmara. A câmara tem de ajudar os comerciantes, não os prejudicar. Não estamos no Parque das Nações. Esta ideia não me convence e vou dar parecer desfavorável”, critica.
Também Carlos Gonçalves (CDU), da União de Freguesias de Alverca do Ribatejo e Sobralinho, já veio dizer estar contra a ideia. “As medidas restritivas ou punitivas como a tarifação nunca devem ser aplicadas de forma isolada. Devem ser precedidas por políticas indutoras e de discriminação positiva, nomeadamente a disponibilização de alternativas reais de mobilidade e infraestrutura de suporte”, defende. Diz o autarca que Alverca não tem parques dissuasores suficientes nem parques subterrâneos ou em silo nas zonas de maior densidade habitacional, como Arcena e Bom Sucesso.
“Sem alternativas a procura não é gerida, é apenas financeiramente sobrecarregada. Os residentes são obrigados a ocupar o espaço público por défice crónico de planeamento urbanístico histórico. Taxar o estacionamento nestas condições constitui uma penalização injusta sobre uma necessidade básica, a habitação, afectando desproporcionalmente as famílias de médios e baixos rendimentos e a população mais idosa”, critica Carlos Gonçalves. Para o autarca, os novos parquímetros vão afectar o pequeno comércio e critica a ideia do executivo municipal liderado por Fernando Paulo Ferreira (PS), considerando que o projecto carece de maturidade técnica, eficácia de planeamento e justiça social.

“Ninguém está contente com isto”
Também em Vila Franca de Xira, o presidente da junta, Ricardo Carvalho (PS), diz que, num primeiro olhar, a medida será penalizadora para a comunidade. “Defendo que as pessoas não tenham de pagar, mas é verdade que se não o fizerem há carros estacionados durante semanas no mesmo local. Ainda vou ler o documento com atenção, mas, num primeiro olhar, diria que para os vilafranquenses vai ser muito complicado pagar. Ninguém está contente com isto”, lamenta.
Marco António, vocalista e fundador da banda Lucky Duckies, da Póvoa de Santa Iria, também se mostrou contra a ideia, considerando que não há necessidade de ter mais esta despesa com estacionamento na cidade. “Não votámos para isto, não vinha no programa eleitoral dos candidatos à câmara”, critica.

Regulamento alarga estacionamento pago no concelho

Tal como O MIRANTE já tinha dado nota, a Câmara de Vila Franca de Xira vai enviar para consulta pública um novo regulamento de mobilidade e estacionamento que prevê a expansão do estacionamento tarifado e a criação de novas regras para residentes, empresas e utilizadores ocasionais. A proposta, aprovada em reunião de câmara, cria quatro zonas distintas - vermelha, amarela, verde e azul - com diferentes tempos máximos de permanência e tarifas.
Nas áreas de maior pressão automóvel, classificadas como zona vermelha, o estacionamento ficará limitado a duas horas e terá um custo máximo previsto de 3,20€. Já a zona azul será orientada para estacionamento prolongado e bilhetes diários a custarem até um euro. O regulamento prevê até 3 dísticos de residente por habitação, com a possibilidade de um quarto dístico em situações justificadas, com a validade de um ano e que custam entre 12 euros por ano (para um dístico) ou 150 euros por ano para três dísticos. Há, no entanto, limites globais de dísticos disponíveis: 750 para VFX, 2.182 para Alverca e 1.333 para a Póvoa de Santa Iria. As empresas também podem requisitar um dístico pagando 30 euros por mês.

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