Fardas dos Bombeiros de Coruche mandadas para o lixo geram indignação
A divulgação de imagens nas redes sociais de fardamento de bombeiros depositados no aterro da Raposa provocou críticas, mas a corporação municipal de Coruche garante que o material não podia ser reaproveitado nem oferecia garantias a quem o utilizasse.
A presença de fardamento dos Bombeiros Municipais de Coruche no aterro da Raposa gerou indignação nas redes sociais, depois de terem sido divulgadas imagens onde são visíveis casacos, capacetes e outras peças de equipamento associadas à corporação. Contactado por O MIRANTE, Nuno Coroado, comandante dos Bombeiros Municipais de Coruche, esclareceu que o equipamento visível nas imagens já tinha sido abatido ao inventário do município de Coruche, entidade que gere o corpo de bombeiros.
“Estamos a falar de equipamento completamente obsoleto e danificado. As imagens divulgadas nas redes sociais foram montadas em exposição em determinados ângulos para fazer fotografias inadvertidas”, afirmou o comandante, acrescentando que, em algumas fotografias, é possível ver “capacetes sem viseira, botas sem sola, equipamento de incêndio rasgado” e um casaco vermelho “sem fecho sequer”.
Segundo Nuno Coroado, o material estava fora de serviço há três anos e foi alvo de auto de abate por não reunir condições de recuperação nem de segurança. “As fotografias numa primeira observação parecem uma coisa, mas se for feito zoom consegue-se perceber verdadeiramente o que é que lá está”, sustentou. O responsável referiu ainda que os dois casacos de incêndio cinzentos que surgem nas imagens estavam queimados na parte da frente, dando esse exemplo para reforçar que o equipamento não podia ser reutilizado.
O comandante explicou que o fardamento foi colocado em sacos devidamente selados e encaminhado para o local de transferência de resíduos em Coruche, seguindo depois o procedimento através da Ecolezíria. As fotografias, segundo o comandante, foram feitas no aterro da Raposa, um espaço vedado e de acesso interdito ao público. Nuno Coroado considera que o caso levanta questões à própria Ecolezíria, admitindo que as imagens possam ter sido feitas por um funcionário da empresa intermunicipal.
O comandante recordou ainda que a aptidão para uso dos equipamentos de protecção individual dos bombeiros não depende apenas da idade ou da data de fabrico, mas também das instruções do fabricante relativas a armazenamento, utilização, limpeza, manutenção, revisão, desinfecção, desempenho e obsolescência. Invocou ainda um regulamento europeu para sublinhar que dano térmico, contaminação, degradação dos materiais, perda de integridade mecânica, limpeza inadequada ou falhas de componentes podem justificar a retirada de serviço antes do fim da vida útil expectável.


