Bombeiros sem receber há seis meses por serviço na Feira Nacional do Cavalo
Bombeiros da Golegã e de outras corporações da Lezíria do Tejo continuam à espera do pagamento pelo serviço prestado no dispositivo de protecção civil da Feira Nacional do Cavalo, realizada em Novembro. Valores em dívida chegam aos 600 euros por operacional. Responsáveis admitem atraso “fora do normal”, mas garantem que o pagamento será feito.
Os bombeiros que integraram o dispositivo de protecção civil da Feira Nacional do Cavalo (FNA), realizada em Novembro passado na Golegã, continuam sem receber pelo serviço prestado durante o certame. Passados cerca de seis meses, há operacionais que reclamam valores entre os 50 e os 600 euros, consoante o número de horas trabalhadas. “Já passou mais de meio ano e temos direito a defender o que é nosso. Estivemos no dispositivo montado em permanência e merecemos receber pelo que trabalhámos”, afirmou a O MIRANTE um dos bombeiros da Golegã envolvidos na operação, dando voz ao descontentamento entre os operacionais.
Os Bombeiros da Golegã foram uma das várias corporações do Comando Sub-Regional da Lezíria do Tejo mobilizadas para o dispositivo de segurança e socorro da FNA, um dos maiores eventos da região. O plano envolve meios de protecção civil, bombeiros e GNR, com o objectivo de assegurar resposta permanente a emergências pré-hospitalares, incêndios e ocorrências de segurança durante os 10 dias do evento.
No caso da corporação da Golegã, a exigência operacional é particularmente elevada. Segundo a mesma fonte, os bombeiros não podem sequer marcar férias nesse período, devido à necessidade de garantir disponibilidade total para o dispositivo. A comandante dos Bombeiros da Golegã, Oriana Brás, confirma a situação e admite que é a “primeira vez que há um atraso tão grande no processamento do pagamento”, que habitualmente ocorre cerca de dois meses depois.
O presidente da associação humanitária, Rui Medinas, também reconhece que se trata de “uma situação fora do normal” e garante que a direcção tem feito diligências para resolver o problema. “Não se trata só dos bombeiros da Golegã, mas de todos os envolvidos no dispositivo da Feira Nacional do Cavalo”, sublinha. Ainda assim, admite que o atraso tem maior impacto no corpo activo da Golegã, pelo número de horas asseguradas pelos seus operacionais ao longo do certame. “Já passaram seis meses, é óbvio que me preocupa”, afirmou, acrescentando que recebeu do comandante sub-regional de Emergência e Protecção Civil da Lezíria do Tejo, Hélder Silva, a garantia de que está a fazer de tudo para ultrapassar a situação.
Problema interno atrasou processo
Segundo explicou, na origem do atraso estará um problema interno relacionado com a transmissão de informação na hierarquia da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil, o que terá atrasado o processamento dos pagamentos. Contactado por O MIRANTE, Hélder Silva confirmou que houve um “problema” que motivou o atraso e garantiu que o pagamento será efectuado. O responsável acrescentou que as associações humanitárias de bombeiros envolvidas estão informadas sobre a situação.
Também a comandante dos Bombeiros de Azambuja, Thaís Freixo, confirmou a O MIRANTE que o pagamento ainda não foi feito aos seus operacionais. Daquela corporação estiveram envolvidos seis bombeiros e um elemento de comando. “É uma situação fora do normal”, reconheceu, sublinhando que não tem sido habitual existirem problemas deste género. Também o comandante dos Bombeiros de Salvaterra de Magos, Paulo Dionísio, confirmou o atraso no pagamento pelo serviço prestado na FNA.


