Médio Tejo enfrenta Verão de risco com florestas carregadas de árvores caídas
Quatro meses depois da tempestade Kristin, milhares de árvores continuam por remover no Médio Tejo e o aumento da carga combustível preocupa sapadores, autarcas e Protecção Civil.
O Médio Tejo entra no Verão com um cenário florestal mais perigoso do que em anos anteriores. A tempestade Kristin deixou milhares de árvores tombadas, caminhos obstruídos e uma acumulação de material lenhoso que aumenta o risco de incêndio e pode dificultar o combate às chamas nos próximos meses. A preocupação é assumida por responsáveis no terreno, que falam numa alteração significativa da carga combustível. Luís Damas, presidente da Associação de Agricultores do Ribatejo Norte, entidade que mantém sete equipas de sapadores florestais, alerta que há zonas onde o combustível que estava suspenso passou a estar no chão, criando novas dificuldades de acesso e de comportamento do fogo.
O presidente da Câmara de Abrantes e da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, Manuel Jorge Valamatos, reconhece que o risco aumentou significativamente, com especial preocupação em concelhos como Ourém, Tomar e Ferreira do Zêzere, onde permanecem muitas árvores caídas e grande acumulação de material combustível. Também a Protecção Civil sub-regional sublinha que as tempestades não retiraram combustível da floresta, apenas o deslocaram. O que estava nas copas está agora concentrado no solo, em grandes massas de combustíveis finos, médios e grossos, situação que pode tornar mais difíceis operações de combate, rescaldo e vigilância. No terreno, os sapadores falam de uma pressão crescente. Há caminhos secundários ainda por desobstruir e zonas onde a remoção de árvores e material lenhoso poderá demorar meses ou anos. “Não há mãos a medir”, resume Ricardo Lavrador, chefe de uma das equipas, num ano que os profissionais admitem ser mais complicado.
O prazo para a limpeza de terrenos foi prolongado até 30 de Junho, mas o aviso é claro: autarquias, proprietários e cidadãos terão de acelerar a prevenção num território que chega ao verão com mais combustível, mais obstáculos e menos margem para falhas.


