Sociedade | 01-06-2026 12:00

Realojamento urgente para família que vivia sem condições em Samora Correia

Realojamento urgente para família que vivia sem condições em Samora Correia
Ana Sofia Gonçalves Inácio é mãe de três filhos e debatia-se com uma acção de despejo - foto arquivo O MIRANTE

Depois de meses de incerteza, alertas públicos e intervenção de várias entidades, Ana Sofia Inácio e os três filhos menores têm agora uma resposta habitacional no concelho de Benavente.

A família de Ana Sofia Gonçalves Inácio, mãe de três filhos menores, vai ser realojada numa habitação social na zona da Carregueira, em Samora Correia, na sequência de um pedido de realojamento urgente e temporário levado à reunião de câmara de Benavente de 18 de Maio. O processo foi apresentado pelo vereador com o pelouro da Habitação Pública, Frederico Colaço Antunes, eleito pelo Chega, ao abrigo do artigo 10.º do Regulamento Municipal para a Atribuição e Gestão das Habitações Sociais.
O autarca classificou o caso como “a situação mais complexa” que encontrou na sua experiência na administração pública e que suscita uma reflexão sobre as falhas das respostas sociais no país. Em causa está uma mãe sozinha com três crianças, dois irmãos gémeos de 14 anos, um deles com 80% de incapacidade, e uma filha de oito anos, depois de o pai ter abandonado a família. Segundo Frederico Colaço Antunes, a família chegou a viver sem água, sem frigorífico, com uma das crianças a dormir na cozinha e sem uma casa de banho funcional que permitisse tomar “o mais elementar dos banhos”.
“É o falhanço total do Estado social”, afirmou o vereador, defendendo que este é um caso em que a intervenção pública não pode ser discutível. Frederico Colaço Antunes salientou ainda que os menores nunca chumbaram nenhum ano na escola e são “bons alunos dentro destas limitações”, considerando que, se o Estado não apoiar crianças nestas condições, dificilmente poderá justificar outras respostas sociais.
O caso de Ana Sofia Inácio foi tornado público por O MIRANTE em Agosto de 2025, quando a mãe, então com 42 anos, alertava para o risco de ver os filhos institucionalizados por falta de uma casa digna. A família vivia numa pequena habitação em Samora Correia, sem condições mínimas de salubridade ou privacidade, depois de a mulher se ter mudado para o concelho na sequência de uma situação de violência doméstica.
A casa, que pertencera à avó, foi vendida em tribunal no âmbito de um processo de partilhas, tendo sido decretada ordem de despejo. A Comissão de Protecção de Crianças e Jovens chegou a deslocar-se à habitação para avaliar as condições, ficando em aberto o cenário de acolhimento institucional dos três menores, hipótese que a mãe sempre disse querer evitar. Ao longo dos meses, Ana Sofia Inácio procurou uma resposta junto da Câmara de Benavente e do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana. O IHRU confirmou por escrito que a família reunia requisitos para apoio, mas esclareceu que o processo teria de ser encaminhado pela autarquia. A mãe contratou também uma advogada e pediu intervenção da Provedoria de Justiça.

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