Alcanena retira famílias das casas para desbloquear obra atrasada
Município de Alcanena e empresa responsável pela reabilitação do Bairro Timor Lorosae chegaram a entendimento para realojar temporariamente as famílias que ainda permaneciam nas habitações, desbloqueando uma obra marcada por atrasos.
A Câmara de Alcanena aprovou, na reunião do executivo de 11 de Maio, o realojamento temporário de famílias do Bairro Timor Lorosae, com o objectivo de acelerar as obras de reabilitação em curso. A decisão surge depois de meses de atrasos numa empreitada financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e que já levou o município a avançar com um processo de indemnização contra a empresa responsável pelos trabalhos.
Segundo explicou a vereadora com o pelouro da Acção Social e Famílias, Clara Batista, a solução foi encontrada após várias conversações com o empreiteiro, permitindo retirar os moradores que ainda permaneciam nas habitações previstas para intervenção. “Havia apenas poucas formas de acelerar o processo de retirada dos restantes munícipes. Alguns já foram para casas aplicadas/contentores e outros para casa de famílias”, afirmou a autarca. Clara Batista adiantou que, perante os sucessivos atrasos, a própria empresa construtora acabou por colaborar nas soluções de realojamento temporário. O empreiteiro participou, inclusive, numa reunião com os moradores, acompanhado por uma técnica do serviço social do município. “Tendo em conta os atrasos, até o próprio empreiteiro disponibilizou-se para ajudar e ir buscar os contentores e disponibilizou contentores marítimos para as pessoas que fossem para casa de famílias colocarem os seus bens pessoais”, referiu a vereadora.
O vereador Samuel Frazão, do PS, recordou que esta é uma empreitada marcada por sucessivos constrangimentos e atrasos. O eleito lembrou que o empreiteiro tinha anteriormente argumentado que parte da responsabilidade pela demora nos trabalhos recaía sobre a câmara, devido à permanência de moradores nas habitações durante a execução da obra. Samuel Frazão mostrou-se satisfeito por a situação estar agora a “avançar”.
Recorde-se que, em Março, a Câmara de Alcanena anunciou a intenção de aplicar uma multa de quase 600 mil euros à Tecnorém, empresa responsável pela reabilitação dos 48 fogos do Bairro Timor Lorosae. Na altura, o presidente do município, Rui Anastácio, afirmou que a autarquia tentou evitar esse desfecho através de várias reuniões e alertas dirigidos ao empreiteiro, considerando que a maior parte da responsabilidade pelos atrasos recaía sobre a empresa. A Tecnorém contestou então a O MIRANTE os argumentos do município, alegando dificuldades relacionadas com a permanência de moradores nas casas durante a execução dos trabalhos.


