Associações contestam proibição de pesados no Cartaxo mas João Heitor recusa suspender medida
ANTRAM e APED dizem que restrição foi decidida sem consulta ao sector e alertam para impactos económicos e logísticos nas empresas. Presidente da Câmara do Cartaxo defende que a segurança “de todos” tem de prevalecer e garante que a medida não será revertida.
A Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) e a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) contestam a decisão da Câmara Municipal do Cartaxo de proibir a circulação de veículos pesados na circular urbana da cidade, medida que entrou em vigor a 1 de Junho. As associações pedem a suspensão da restrição e a abertura de um processo de consulta ao sector, mas o presidente da autarquia, João Heitor, garante a O MIRANTE que a decisão é para manter.
As duas associações consideram que a medida foi tomada sem o devido envolvimento dos sectores afectados e defendem a sua suspensão até ser realizado um processo de consulta mais alargado. Em comunicado conjunto, afirmam ser “difícil compreender” que uma decisão com impacto económico e logístico para o sector tenha avançado sem consulta aos agentes económicos envolvidos, sem estudos de impacto económico e sem “alternativas viáveis”. Segundo a ANTRAM e a APED, a proibição poderá traduzir-se no aumento dos custos operacionais, perda de eficiência logística, maior pressão sobre vias alternativas, aumento das emissões de carbono e redução da competitividade da região. As associações defendem, por isso, a abertura de um processo de consulta “estruturado, transparente e participado”, que permita encontrar soluções capazes de salvaguardar a actividade económica e logística do território. “A definição de políticas públicas não pode deixar de levar em conta os efeitos da adopção de soluções correctivas na circular urbana da cidade do Cartaxo sobre a economia e as empresas do sector, pois tais impactos reflectem-se posteriormente nos consumidores”, referem as entidades.
João Heitor diz que segurança dos cidadãos falou mais alto
Confrontado com as críticas, João Heitor admite a O MIRANTE que “não surgiu a oportunidade” de falar previamente com as associações e diz compreender a posição das mesmas, mas considera que a autarquia não tinha alternativa perante o estado de degradação da via e os riscos de segurança existentes. “Percebo a preocupação das transportadoras, mas tivemos que ter em atenção, sobretudo, questões de segurança básica, não só para a população, mas até para os próprios camionistas”, afirmou o presidente da Câmara do Cartaxo, sublinhando que a circulação associada a cargas e descargas no concelho continua autorizada e que a proibição se aplica apenas ao trânsito de atravessamento. O autarca reconhece que a medida poderá representar custos acrescidos para algumas empresas, nomeadamente com portagens, mas relembra que a circular suporta cerca de mil camiões por dia, um volume de tráfego que considera incomportável tendo em conta as finanças municipais. “A estrada está num nível de degradação elevadíssimo e não temos condições para suportar nem a reabilitação nem a manutenção constante da via face a este nível de tráfego”, sublinhou.
João Heitor garante que a possibilidade de restringir a circulação de pesados tem sido discutida publicamente há vários anos e, apesar de se mostrar disponível para dialogar com as associações, afasta qualquer hipótese de suspensão da medida. “Nesta altura não é possível de todo reverter a decisão, até porque vamos iniciar as obras na circular já esta semana”, afirmou. O presidente da câmara admite apenas reavaliar a situação caso surjam, no futuro, alternativas ou outros recursos que garantam a manutenção da via e a segurança dos utilizadores.


