BE de Torres Novas contesta localização de unidade de biometano
Bloco de Esquerda de Torres Novas rejeita a localização proposta para a futura unidade de biometano em Olaia e Paço, no concelho de Torres Novas, e considera que impactos sobre as populações não podem ser ignorados.
O Bloco de Esquerda de Torres Novas rejeitou a localização proposta para a futura unidade de biometano em Olaia e Paço, no concelho de Torres Novas, alegando impactos na qualidade de vida das populações e pedindo maior transparência no processo.
Em comunicado, a coordenadora concelhia do partido afirma que a descarbonização da economia e o investimento nas energias renováveis são objectivos que devem prosseguir e até ser acelerados, mas sustenta que a localização escolhida para a futura unidade “não é uma boa notícia”.
Segundo o BE de Torres Novas, a instalação prevista na Estrada 1161, entre Casal Sentista e Árgea, na União de Freguesia de Olaia e Paço, poderá afectar centenas de moradores nas proximidades e milhares de residentes situados a sul da área proposta. “Ao escolherem aquela localização estão a condenar ao sofrimento e a retirar a qualidade de vida a centenas de moradores próximos e a alguns milhares que vivem a sul do local previsto”, refere o comunicado.
O partido reconhece que a existência de resíduos orgânicos em quantidade na região e a proximidade de um gasoduto constituem factores favoráveis ao projecto, mas considera que os impactos sobre as populações não podem ser ignorados. Na nota enviada à comunicação social, o BE sustenta que o atual Plano Director Municipal (PDM) não permite a instalação da unidade naquela área e defende que a Câmara de Torres Novas não deve aceitar alterações urbanísticas destinadas a viabilizar o investimento. “A câmara municipal não pode pactuar com alterações de última hora, como é o caso das ‘Normas provisórias’ requeridas pelo proponente”, afirma.
Entre as preocupações apontadas estão o aumento da circulação de veículos pesados, o ruído, a segurança rodoviária e os odores associados ao transporte e tratamento de resíduos. De acordo com o comunicado, os vários aglomerados populacionais da zona serão atravessados diariamente por “largas dezenas de camiões”, quer para abastecimento da unidade, quer para transporte dos subprodutos resultantes do processo de digestão anaeróbica.
O partido refere ainda que as operações de carga e descarga associadas ao projeto envolvem cerca de 262 toneladas diárias de matérias-primas e resíduos, considerando que os potenciais impactos ambientais e na qualidade do ar estão a ser subvalorizados.
Defendendo maior transparência no processo, o BE considera que a população deve ser informada sobre todos os desenvolvimentos e critica a ausência de uma posição pública mais célere por parte da autarquia. “Este processo deve ser transparente, já esteve escondido por muito tempo”, lê-se no documento. O partido apela ainda à participação dos cidadãos na consulta pública do projeto, que decorre até 25 de Junho, bem como nas sessões de esclarecimento previstas.


