Centro de Saúde de Alverca sem ar condicionado revolta utentes e profissionais
Há quem admita ter-se sentido mal no Centro de Saúde de Alverca durante a onda de calor da última semana. Alguns profissionais estão a recorrer a ventoinhas nos gabinetes para conseguirem aguentar o aumento das temperaturas. Câmara de Vila Franca de Xira diz estar a tentar resolver os problemas mas culpa a idade dos equipamentos.
Estão a ser dias difíceis para os utentes que precisam de recorrer à Unidade de Saúde Familiar (USF) Gago Coutinho, em Alverca, que há várias semanas está sem sistema de aquecimento, ventilação e ar condicionado (AVAC) a funcionar no edifício. Um problema que não é novo e que se arrasta pelo menos desde 2019, altura em que O MIRANTE começou a reportar algumas das primeiras queixas dos utentes e profissionais de saúde.
O sistema de AVAC tem funcionado com intermitências, embora quem ali se desloque garanta que passa mais tempo avariado do que a funcionar. E se de Inverno é mais fácil para os utentes aguentar o frio vestindo casacos, com o calor as dificuldades aumentam. Florbela Costa, do Sobralinho, relata a O MIRANTE o cenário que encontrou nas instalações na última semana e pede uma rápida intervenção das entidades competentes pela manutenção do espaço. “Estavam uns 32 graus na rua e dentro do edifício ainda parecia estar mais, tudo abafado, com as janelas fechadas e um calor que ninguém aguentava. Vi gente a passar mal, uma senhora desmaiou e teve de ser levada para a rua e outras pessoas a pedir que lhes trouxessem ventoinhas porque estavam agoniadas”, critica.
A Câmara de Vila Franca de Xira é a responsável pela manutenção dos centros de saúde, na sequência da recente descentralização de competências. Não é da sua responsabilidade, no entanto, a substituição integral dos equipamentos, como neste caso parece ser necessário. “O sistema de AVAC já apresentava significativas limitações no seu funcionamento aquando da transferência do edifício para a responsabilidade municipal”, explica a câmara a O MIRANTE, garantindo que desde esse momento os serviços municipais têm desenvolvido esforços para garantir o seu funcionamento regular de forma a garantir condições para a adequada prestação dos cuidados de saúde e conforto dos utentes e profissionais.
“A empresa da especialidade contratada, que assegura a manutenção do equipamento, foi oportunamente instada para intervir com urgência na verificação e regularização da situação. Releva mencionar que o envelhecimento e desgaste natural dos equipamentos instalados condiciona, de forma relevante, a viabilidade e o seu normal funcionamento”, explica o município, que admite poder ter de ser necessário vir a substituir integralmente os sistemas AVAC do edifício.
Problemas transversais a várias unidades
Tal como O MIRANTE já tinha dado nota, os problemas com sistemas AVAC dos centros de saúde têm sido sentidos também noutras unidades do concelho, como o de Vila Franca de Xira, Póvoa de Santa Iria e Castanheira do Ribatejo. Estima-se que as reparações nos diferentes centros de saúde venham a custar pelo menos três milhões de euros, como já noticiámos.
Em Castanheira do Ribatejo, como se a falta de médicos não fosse suficiente, o edifício teve durante mais de um ano um elevador avariado, televisões que não funcionam e infiltrações que alagam várias salas do edifício sempre que chove com mais intensidade. “A verba que recebemos para fazer as pequenas manutenções rapidamente se gasta. Estamos atentos e já fizemos várias reuniões com diferentes entidades no sentido de dar conta da quantidade de verbas que são necessárias para fazer essas intervenções de fundo”, explicou o presidente do município, Fernando Paulo Ferreira, quando questionado em reunião de câmara em Março do ano passado com estes mesmos problemas.


