Sociedade | 05-06-2026 10:00

Falta de médicos de família é doença sem cura à vista no Vale do Tejo

Falta de médicos de família é doença sem cura à vista no Vale do Tejo
Falta de médicos no Vale do Tejo reflecte-se na redução do número de consultas presenciais nos cuidados de saúde primários - foto arquivo O MIRANTE

A Unidade Local de Saúde Estuário do Tejo é a que tem menor percentagem de utentes com médico de família a nível nacional. Médio Tejo e Lezíria do Tejo também estão abaixo da média nacional. Falta de médicos leva a quebra no número de consultas presenciais.

O relatório de monitorização da Entidade Reguladora da Saúde (ERS) sobre os Cuidados de Saúde Primários (CSP) em 2024 e 2025 revela que, em Dezembro 2025, 85,3% dos utentes inscritos em Portugal continental tinham médico de família atribuído, valor próximo do registado em 2024 (85,4%). Mas as disparidades a nível do território são evidentes e a região do Vale do Tejo e Oeste é das que fica pior na fotografia. As Unidades Locais de Saúde (ULS) do Oeste (53,4%) e do Estuário do Tejo (53,2%) – e mesmo assim subiu 3,2% de 2024 para 2025 - são as que têm menor percentagem de utentes com médico de família a nível nacional. A percentagem de utentes com médico de família regrediu também no Médio Tejo, de 71,1% para 67,5%, e na Lezíria do Tejo, de 82,1% para 80,7%, estando ambas as ULS abaixo da média nacional nesse indicador.
Se várias Unidades Locais de Saúde (ULS) apresentam valores acima da média nacional, com níveis de cobertura próximos ou iguais a 100%, como Tâmega e Sousa (100,0%), Barcelos/Esposende (100,0%), Baixo Mondego (99,4%) ou Médio Ave e Alto Minho (ambas com 99,3%), as ULS do Oeste e do Estuário do Tejo estão no fim da tabela, seguindo-se as ULS da Arrábida (62,1%), Arco Ribeirinho (64,9%) e Amadora/Sintra (66,3%), todas na zona de Lisboa, a mais afectada por essa situação.
Quebra nas consultas presenciais em todo o Vale do Tejo
De 2024 para 2025 verificou-se também uma redução das consultas presenciais nos centros de saúde das ULS desta região – Médio Tejo, Lezíria do Tejo e Estuário do Tejo -, acompanhando a tendência nacional, com destaque pela negativa para o Médio Tejo, que também registou quebra no número de consultas, ao contrário da tendência nacional de crescimento das consultas remotas e domiciliárias.
No Médio Tejo, de 2024 para 2025, as consultas presenciais decresceram de 330.846 para 325.106; as consultas não presenciais reduziram residualmente, de 238.712 para 238.469; e as consultas ao domicílio diminuíram de 1.883 para 1526. Já a Lezíria do Tejo reduziu nas consultas presenciais (de 402.167 para 382.627), mas subiu de 244.560 para 255.250 nas consultas não presenciais e de 2.920 para 3.180 nas consultas médicas ao domicílio.
Na ULS Estuário do Tejo registou-se igualmente uma descida nas consultas presenciais, de 343.347 para 323.049 nos últimos dois anos, mas verificou-se um aumento das consultas não presenciais, de 215.635 para 235.094, e ao domicílio, de 1.315 para 1.735.
A nível nacional, entre 2024 e 2025 registou-se uma redução de 4% no número total de consultas médicas presenciais nos cuidados de saúde primários, correspondendo a menos 767.413 consultas no período em análise. Ao nível das ULS, verificou-se uma diminuição da atividade em 35 das 39 unidades, evidenciando uma tendência generalizada de redução, ainda que com diferente expressão entre unidades. As reduções mais expressivas ocorreram nas ULS da Região de Aveiro (-16,8%), Médio Ave (-9,7%) e de São João (-9,6%).

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